Desde sua fundação, em 2015, a Lupa trabalha para mudar esse cenário. E o público precisa saber que a ausência de checagem ao vivo nos debates brasileiros não decorre da falta de interesse dos checadores. Há mais de 10 anos, nossa equipe atravessa a madrugada verificando declarações e conteúdos virais produzidos durante esses encontros e publica os resultados em nosso site e nas redes sociais, tanto em nossos próprios perfis quanto em colaborações com outros veículos jornalísticos, influenciadores e criadores de conteúdo.
Nos últimos onze anos, a direção da Lupa participou de dezenas de conversas com emissoras de televisão, portais de notícias e organizadores de sabatinas e debates para discutir a incorporação da checagem em tempo real. Foram apresentadas diferentes soluções: letreiros na parte inferior da tela, intervenções de checadores entre os blocos e até resumos das principais falsidades identificadas, exibidos imediatamente após o encerramento dos programas.
Em diversas ocasiões, as negociações avançaram até chegar às campanhas eleitorais, com as quais as regras dos debates são discutidas e aprovadas. É nesse ponto que, muitas vezes, as conversas emperram. Representantes de campanhas de diferentes partidos e posições ideológicas têm resistido à presença de checadores no mesmo ambiente em que ocorre o confronto entre os candidatos. E, diante dessa resistência, os organizadores frequentemente recuam.
A verificação de fatos precisa fazer parte desses encontros, não como uma concessão dos candidatos, mas como um compromisso dos organizadores com o público. Porque a igualdade de oportunidades entre candidatos é um princípio democrático. A igualdade de tratamento entre a verdade e a mentira, não.
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