Às vezes dói ser quem você é, eu sei. Dói carregar as cicatrizes que ninguém vê, os medos que você aprendeu a esconder, as mudanças que fizeram você deixar para trás versões suas que um dia pareciam definitivas. Às vezes, dói ser você também por tudo aquilo que não aconteceu. Pelas tatuagens que você não fez, pelos shows aos quais não foi, pelos livros que não leu, pelas viagens que adiou, pelas palavras que engoliu. Dói lembrar o amor que você quis amar e que não quis ficar. Dói pensar nas escolhas que poderiam ter sido outras, nas portas que você não abriu, nos dias em que faltou coragem. É a saudade estranha das vidas que a gente não viveu.
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