🗯A pergunta é: quanto de você ainda precisará ser destruído para que perceba que já passou da hora de sair?
Porque uma relação raramente chega à violência mais explícita de uma hora para outra. Antes do puxão, do empurrão, da agressão e da cena trágica, geralmente existiram pequenos limites sendo atravessados e depois normalizados. Veio a primeira humilhação. Depois, o grito. A ameaça disfarçada de raiva. O controle tratado como cuidado. O ciúme confundido com amor. O medo chamado de respeito. E a violência emocional sendo diminuída porque “pelo menos nunca encostou a mão”. Até que encosta. E, quando o corpo finalmente é atingido, muitas vezes a dignidade já vinha sendo ferida há muito tempo. O mais assustador é que algumas pessoas parecem precisar de um acontecimento extremo para reconhecer aquilo que os sinais anteriores já anunciavam. Como se fosse necessário chegar à piscina, ao chão, ao hospital ou à delegacia para admitir que aquele vínculo deixou de ser uma relação e se transformou em um território de violência. Mas não deveria ser necessário chegar ao trágico. Uma relação já ultrapassou o limite do plausível e do ético quando uma pessoa precisa sentir medo da outra. Quando precisa calcular palavras, esconder sentimentos, evitar reações, tolerar humilhações ou se diminuir para impedir uma explosão. E é importante dizer: violência não é “um relacionamento intenso”. Não é “amor demais”. Não é “um casal de personalidade forte”. Também não é simplesmente uma “briga de casal” quando existe alguém usando força, medo, coerção ou domínio sobre o outro. Conflitos podem existir dentro do amor. Violência, não. Quando uma relação exige que você abandone a própria segurança para continuar nela, talvez a pergunta já não seja mais até onde ela pode chegar.
@dhyego.psic
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