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Sobre o novo Senado e o STF: 1. A CPI da Lava Toga, em 2019, chegou três vezes nas assinaturas necessárias e nunca saiu do papel. Flávio Bolsonaro teve papel relevante para a CPI não ir para frente. Ele foi o único senador do PSL que não assinou a terceira tentativa e atuou pela retirada de assinaturas enquanto já era alvo do caso das rachadinhas. Depois, a investigação contra ele foi esvaziada com STJ e STF (Gilmar, Kassio, Lewandowski) anulando provas importantes. 2. Desde março/2026 o senador Alessandro Vieira já obteve assinaturas suficientes para uma CPI sobre Moraes, Toffoli e o Banco Master. O pedido está parado há meses na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. De novo: não falta assinatura. Falta interesse político em instalar a CPI. 3. Lula indicou ao STF seu ex-advogado pessoal, Zanin, e seu ministro da Justiça, Flávio Dino. Os dois passaram pelo Senado. Houve oposição, principalmente a Dino, mas ambos foram aprovados. Só em 2026 o Senado rejeitou Messias, na primeira rejeição de um indicado ao STF desde o século 19. É o Senado querendo fazer algo a respeito do STF? Não é bem assim. A rejeição aconteceu em meio a uma guerra política entre Lula e Alcolumbre. Alcolumbre queria que Lula indicasse Rodrigo Pacheco para a vaga. Quando isso não aconteceu, atuou para que o indicado, Messias, fosse rejeitado. 4. O caso Master não envolve apenas Moraes e o STF. Também atinge figuras importantes do Congresso. Nas mensagens vazadas de Vorcaro, o presidente do Senado chama Vorcaro de "meu amor" ou " irmão pra vida toda". Nesse contexto, o que é mais provável? a) Que parlamentares potencialmente atingidos queiram uma investigação rigorosa; ou b) que atuem para que um caso enorme de corrupção seja investigado, derrube um ministro e arrisque que a investigação siga até eles próprios. Logo, a pressão para colocar panos quentes em tudo me parece mais forte. E há um ponto a mais a favor desse caminho... 5. Para uma parte relevante do Congresso, um STF desacreditado é extremamente conveniente. O legislativo poderia investigar ministros, abrir CPIs e até conduzir impeachment. Mas, se isso resultar em um STF mais limpo, mais forte e com mais legitimidade institucional, essa mesma Corte ganha força para investigar membros do próprio Congresso. Por conta do foro privilegiado, o STF é incontornável para isso. Por que parlamentares comprometidos fariam isso contra o próprio interesse? E mais, assim que algum deles se movimentar para isso, ministros ou o colegiado do STF podem desengavetar processos contra esses deputados que estão parados. Não fizeram exatamente isso contra o senador Alessandro Vieira, mas ele sofreu retaliação pesada quando organizou o movimento pela CPI - busquem saber o que o Gilmar fez. Se o senador tivesse algum caso em andamento contra ele, provavelmente teriam usado também. 6. O equilíbrio atual pode ser melhor para o legislativo: um STF fraco, sem credibilidade, incapaz de posar como autoridade moral. Mas que ainda funciona o suficiente para garantir que ninguém queira ou precise abrir a caixa-preta até o fim. De brinde, ainda rende muitos votos e apoio político de um eleitorado cansado do STF (com razão). Só vejo esse cálculo mudando de verdade se Flávio Bolsonaro vencer e puder indicar 3 ou 4 ministros. Um STF fraco é útil quando você não controla o STF. Mas um STF forte passa a ser muito mais interessante quando a maioria dele é do seu próprio grupo político. Resumo do meu palpite: não espero ver esse pessoal que aí está se mobilizando de verdade contra o STF, ao menos não tão cedo. Vão deixar o STF autodestruir a própria imagem tanto quanto possível, sem assumir para eles a responsabilidade política de diminuir o problema. Mais para frente, com o Caso Master devidamente engavetado e mais ministros alinhados nomeados, podem repensar a estratégia do jogo.

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