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O Volta do Anti-Americanismo Por Stephen Kanitz

Os Estados Unidos é o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado. Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do Samba. São comunitarista, são do tipo que começa cooperando, acreditam num ganha ganha para ambos os lados jamais um soma zero como acha quem nunca negociou com eles. Os supericos são de esquerda, Bill Gates, Elon Musk irão doar tudo para os pobres, algo que ninguém de esquerda brasileira pretende fazer. O antiamericanismo no Brasil é mais do que uma opinião política: é um traço cultural, um mito nacional, um reflexo do nosso complexo de inferioridade travestido de soberania e não consequências de maus tratos ou guerras. Cultivado por gerações de intelectuais, reforçado por militares, encenado por diplomatas e idolatrado por estudantes, esse sentimento tem custado caro ao país em termos de desenvolvimento, inserção internacional e até mesmo governança interna. Em vez de exportar para o mercado americano como fizeram o Japão , Coreia do Sul e China, nossos economistas fizeram o contrário, insistem na política de substituição das importações americanas, por produtos nacionais fabricados aqui. China Coreia e Japão estão agora tão na frente, que o Brasil nunca mais conseguirá alcançar. Nesse período, estes países administrados por administradores e não por economistas criaram marcas poderosissismias com Sony, Yamaha, Samsung, BYD, que americanos jamais permitiriam serem taxados. A a única marca internacional que possuímos , a Varig, faliu. Vargas usou a rivalidade entre americanos e alemães para barganhar investimentos, como a CSN. Recebeu ajuda, mas manteve um projeto nacionalista e autárquico. Nos anos 50 a 70, a esquerda brasileira transformou os EUA no grande vilão do capitalismo internacional. Decretamos a Moratória Da Dívida Externa bestamente em praça pública, assustando todos os depositantes dos bancos e levando nossos juros, em vez de ligar as 16 horas dizendo que não poderíamos pagar, e ninguém precisava ficar sabendo. Durante os governos do PT, especialmente sob Lula e Dilma, o antiamericanismo ganhou status oficial. O Brasil se aproximou dos BRICS, sabotou a Alca, criticou guerras americanas no Oriente Médio e buscou protagonismo no Sul Global. Nas universidades e na cultura, o antiamericanismo é praticamente hegemônico. Livros, teses, filmes e músicas retratam os EUA como corruptores, violentos, racistas, imperialistas. A elite cultural brasileira se define, muitas vezes, mais por aquilo que rejeita (EUA, liberalismo, capitalismo) do que por aquilo que propõe. Enquanto isso, modelos administrativos, técnicos e educacionais americanos focados em eficiência, mérito e responsabilidade são descartados como “neoliberais” ou “coloniais”. Minha luta pró administradores nem obteve apoio das escolas de administração. A insistência em ver os EUA como inimigo impediu o Brasil de fazer alianças estratégicas, como fizeram Coreia do Sul, Taiwan, Polônia ou Índia. Enquanto outros países usavam o capital, a tecnologia e o conhecimento americanos para se desenvolver, o Brasil preferia “resistir” e permaneceu estagnado. Em nome da soberania, mantivemos estatais ineficientes, universidades ideologizadas e um setor público hostil à inovação. Soberania volta às manchetes, reforçando mais 50 anos de substituição das importações, e ignorar o imenso mercado americano, bem como parceiras tecnológicas imprescindíveis pois nossas universidades nada pesquisam que seja útil para as empresas. O Que Ganhamos com Isso? Pouco. Um senso falso de independência, talvez. Um discurso soberano para consumo interno. Mas perdemos relevância internacional, acesso a mercados, investimentos em tecnologia e influência diplomática. Está na hora de o Brasil abandonar essa adolescência diplomática.

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