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Entendam O Ocorreu No Brasil Desde 1964. Escrevi isso em 1980, por isso tem fenômenos que nem mais existem, como “trocar o câmbio” e o “guarda de farol de trânsito”. A aula inaugural do meu curso na FEA USP de 1964, foi dado por um economista famoso, muito inteligente, o Prof. Delfim Neto, que somente em 2002 confessou ser um socialista Fabiano. Delfim se tornou o principal dirigente econômico do regime militar, era contra o livre mercado, e a favor necessidade de um Estado forte e regulador. Ele mais do que os economistas Mário Henrique Simonsen, ou Roberto Campos, determinou os rumos do regime militar, que é nada daquilo que te ensinaram na escola. Palavras dele. "O livre mercado proposto pelos liberais é uma falácia. Imaginem a confluência da Avenida São João e a Avenida Ipiranga, se os ideais liberais prevalecessem. Seria um caos". "O livre mercado, como o livre trânsito não funcionam.” “Todos os grandes cruzamentos das cidades, como da nossa economia, precisam de um "guarda de trânsito", para orientar, intervir e disciplinar o mercado". "Os liberais como Hayek e Von Mises acreditam que motoristas espontaneamente, irão criar alguma regra tipo 4 minutos para cá, 5 minutos para lá”. Esse era o “Projeto” implantado posteriormente por ele e os inúmeros Delfim Boys, cuidar de todos os grandes cruzamentos da Economia Brasileira, para que possamos evitar os congestionamentos e caos do livre mercado Tomaram o poder e a administração do BB, Vale, Cacex, Tesouro, BNDES, CVM, Ministérios da Saúde e Educação, Sudene, Banco do Nordeste, Banco Central. Hoje administram tudo e ainda mais , até hoje. São os mais consultados por políticos, jornalistas e líderes empresárias. Os estudantes de economia na sala de aula, saíram radiantes, inclusive eu, era um futuro promissor e poderoso. Até eu, futuro administrador, achei a lógica do "Projeto" muito clara, óbvia e muito convincente. Na época havia o Socialismo e o Comunismo pairando na escuridão, que defendia tomar todos os cruzamentos de todas as ruas de um país. Algo também inviável. Mas o socialismo Fabiano defendia intelectuais como FHC e economistas como Delfim, Mário Henrique Simonsen, Roberto Campos, Fernando Haddad, Aloísio Mercadante, Guido Mantega, Luciano Coutinho, tomarem somente os cruzamentos estratégicos. Os cruzamentos menos congestionados ficariam com semáforos eletrônico, como hoje é na China mas não em Cuba. Os adeptos do "Projeto" desde 1964 foram tomando praticamente todos os cruzamentos chaves da economia brasileira. Os Militares perderiam o poder, mas o "Projeto" se manteria até hoje. Fiquei fora do país nos primeiros três anos do regime militar, cursando a Harvard Business School, e quando voltei percebi por acaso, a falácia da lógica desse “Projeto". Entre a minha casa e a USP, onde voltara a ser professor, havia 13 cruzamentos. 12 controlados por simples semáforos, e um único cruzamento, a Praça da Árvore Rebouças com a Avenida do Jóquei, controlado por um guarda. Era um cruzamento bem complicado, que era justamente controlado de fato por um guarda de trânsito. Só que percebi que dos 13 cruzamentos o que mais gerava tempo de espera era justamente que tinha um "economista no poder". Ficávamos 10 minutos parados , quando na maioria dos semáforos controlados por uma simples regra eletrônica ou “ lei “ a espera era de 1 minuto. Aí percebi porquê. Depois de algum tempo o guarda estratégico se enchia da monotonia. Ser guarda de trânsito deve ser a profissão mais chata do mundo. Logo, o guarda percebia que "dar preferência para alguns", era uma forma de poder. E dito e feito. Quantas vezes a gente percebia que a Rebouças já estava vazia, mas o "guarda" chamava com a mão um táxi solitário, que ele manteria o sinal até o táxi passar. E o táxi passava sorridente, agradecendo o favor recebido. E de favores em favores, o “Projeto” ficou cada vez mais interessante para os guardinhas.

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