Betelgeuse tem uma mancha quente na atmosfera que está no mesmo lugar há pelo menos sete anos, e os modelos de convecção dizem que uma estrutura dessas deveria durar meses. Neste vídeo eu mostro o que o ALMA viu quando apontou para a supergigante vermelha mais famosa do céu com as imagens mais nítidas que já fez dela, e por que esse resultado incomoda quem modela essas estrelas. O estudo é de Bill Dent (ESO/ALMA), Anita Richards (Universidade de Manchester), Graham Harper (Universidade do Colorado), Lynn Matthews (Observatório Haystack do MIT) e Eamon O'Gorman (Instituto de Estudos Avançados de Dublin), aceito na Astronomy & Astrophysics e publicado no arXiv em agosto de 2026. A equipe usou o ALMA na configuração mais estendida, com linhas de base de até 16 quilômetros, em três bandas entre 0,6 e 1,4 milímetro, e chegou a uma resolução de 7 milissegundos de arco, cerca de um sexto do diâmetro aparente da estrela. O mais valioso: havia um mapa comparável de novembro de 2015 para colocar por cima. Nesses comprimentos de onda o que aparece não é a fotosfera visível, e sim uma camada opaca uns 20% mais para fora, a cerca de 2.300 kelvin, a região do mínimo de temperatura onde se formam moléculas como monóxido de carbono e monóxido de silício. Nela há duas manchas mais quentes, uma a nordeste e outra a sudoeste do centro. A do nordeste é de 500 a 800 kelvin mais quente que o entorno, concentra cerca de 1% da luz da estrela nesses comprimentos de onda e está onde estava em 2015, com diferença menor que 2 milissegundos de arco. A borda dessa camada ondula em até 6% do raio, concentrada no setor sul-sudeste, e esse padrão mudou entre as duas épocas. O gás molecular em volta, entre 1,3 e 3 raios estelares, mudou ainda mais, com contraste de dez para um entre os lados nordeste e sudoeste. Os autores interpretam as manchas como energia injetada por células de convecção gigantes, mas admitem as ressalvas: são só duas épocas, os dados não confirmam rotação da estrela, e um polo inclinado não explica sozinho a segunda mancha. A direção das manchas coincide com o eixo da órbita da companheira de Betelgeuse, confirmada em 2026, e em agosto de 2023 a companheira estava colada no limbo, a cerca de 1,1 raio estelar do centro, fora do alcance dos dados. As duas observações também cercam o Grande Escurecimento de 2020: o setor sudoeste da concha molecular aparece hoje com um buraco na emissão, e mais longe há um grumo isolado de gás que, se foi ejetado naquele episódio, viajou a uns 10 quilômetros por segundo. Por que isso importa: ninguém fechou ainda o mecanismo que empurra o gás de Betelgeuse para fora, e a ideia dominante passa por células de convecção que disparam choques na atmosfera. Bem em cima da mancha quente do nordeste, a absorção molecular está deslocada para o azul, com gás subindo a até 30 quilômetros por segundo em relação à estrela, que é o que um modelo com choques espera ver. O próximo passo é observar de novo com a companheira na elongação máxima, longe do limbo, para procurar em rádio a assinatura das marés dela. Artigo: Dent, W.R.F.; Richards, A.M.S.; Harper, G.M.; Matthews, L.D.; O'Gorman, E. (2026), "ALMA high-resolution observations of Betelgeuse: Persistent structure spanning the inner atmosphere", Astronomy & Astrophysics. Disponível em arxiv.org/abs/2608.19339 #Betelgeuse #ALMA #Astronomia #SupergiganteVermelha #SpaceToday
ALMA REVELA AS BOLHAS GIGANTES DE BETELGEUSE www.youtube.com/watch via @YouTube
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