Thread

R.I.P., Gloria Steinem. Gloria Steinem nunca pediu licença para pensar. Ela entendeu, muito antes de a frase virar bandeira, que o pessoal é político, que a vida de cada mulher, com suas escolhas e silêncios impostos, carrega o peso de uma estrutura inteira. Fez do jornalismo uma ferramenta e da própria vida um argumento: recusou o casamento como destino único, recusou a maternidade como obrigação, recusou envelhecer pedindo desculpas. Steinem sempre falou de esperança como prática, não como ingenuidade: organizar, escrever, aparecer, insistir. Aos noventa e poucos anos, ainda ocupava salas com a mesma leveza inquieta de quem sabe que nenhuma conquista é definitiva, mas nenhuma luta é em vão. Talvez seu maior legado seja esse: mostrar que feminismo não é uma teoria fechada, é um jeito de olhar para o mundo e perguntar, sempre, quem foi deixado de fora da sala.

Nenhum Voo ainda