Dedico o ótimo artigo "Alemanha: por que a ultradireita venceu", aos que dizem " o Brasil não tem jeito".
Se até na Alemanha, pilar da estabilidade europeia, a extrema-direita avança em eleições regionais, fica claro que o mundo inteiro atravessa instabilidade política. Não há "exceção" brasileira nesse caos.
Aos que dizem que o Brasil "não tem jeito", dedico esta reflexão: o "jeito" nunca foi um destino escrito, mas uma construção diária. Se olharmos para trás, superamos ditaduras, hiperinflação, impeachment e uma pandemia. Se olharmos para o lado, vemos que os "modelos" ocidentais também trincam. Dizer que o Brasil não tem solução é preguiça para quem prefere se eximir da luta.
O problema nunca foi o "Brasil" como entidade abstrata, mas a política que fazemos ou deixamos de fazer. A Alemanha nos mostra que democracia se defende com unhas e dentes, em todo lugar. O Brasil tem jeito, sim, e ele não virá num passe de mágica, mas na resistência de quem acorda todo dia e constrói, apesar de tudo.
O "jeito" é a gente. É a nossa capacidade de nos indignarmos, de votarmos, de pressionarmos e de não naturalizarmos o ódio. Enquanto houver quem plante, quem ensine, quem crie e quem se recuse a desistir, o Brasil terá mais jeito do que muitos impérios em decomposição. A esperança não é otimismo cego; é a teimosia de quem sabe que o amanhã ainda está em aberto.
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