Thread

Sem querer abusar do natural estofo paranóico inerente ao humano, vou usar uma pitadinha de minha reserva. Ainda as infelizmente históricas entrevistas presidenciais no JN. Não imagino em qual ponto da hierarquia editorial teria sido decidido, mas sobre o fato já não tenho dúvidas. Uma sacanagem semiótica com o entrevistado Lula pode bem ter bolido nas desconhecidos das almas dos eleitores. Fiquei incomodado ao ver a cena, mas não conseguia saber os porquês. Na bancada inquisitória, Lula parecia rebaixado, as expressões corporais contidas, os ombros elevados como se o obrigando a uma visualização de baixo para cima, o que, em si, já impõe significados. Reparem, revendo as entrevistas, como fiz, já que é o meu antigo ofício. A cadeira do Lula, na bancada, estava com o assento rebaixado, ao menos dois pontos. E deve ter faltado observação final da cena, com o capricho devido, à assessoria. O que, em se tratando de Globo, seria indispensável. Ao menos a mim, vendo daqui, Lula parecia estranhamente cansado e incomodado, o olho no olho, que é seu forte, um pouco enviezado na vertical, a fala bem abafada. Renata e Tralli pareciam mais altos e soberanos, mais difíceis de serem peitados. E foram.

Nenhum Voo ainda