Na entrevista ao JN, Caiado fez mais de uma referência desrespeitosa a Bernard Appy. Disse principalmente que a reforma tributária foi feita por um iluminado, e depois complementou que ele não gosta de iluminados.
A verdade é que Bernard Appy foi secretário extraordinário para reforma tributária ainda no fim do segundo governo Lula. Apesar de ser uma agenda prioritária de um governo extremamente popular, o Congresso não conseguiu um texto que agradasse todo mundo.
Ali se formou um consenso: se Lula não conseguiu essa reforma em um dos governos mais fortes e populares que o Brasil já teve, ninguém conseguiria. Decretou-se a impossibilidade da reforma tributária.
Ao invés de aproveitar a porta giratória pra ganhar rios de dinheiro no setor privado, Bernard Appy saiu do governo para formar um think tank sobre reforma tributária na FGV. Ele reuniu economistas e tributaristas, conversou com vários setores da sociedade, chegou num texto que agradava as partes e conseguiu o apoio de vários candidatos na eleição passada.
Me parece que foi o próprio Bernard Appy quem jogou luz num dos problemas mais graves da economia brasileira e, ao longo desse processo, iluminou-se.
Caiado protesta porque sabe que o agro paga pouco imposto. A reforma apenas igualou a tributação entre os setores e ainda criou uma série de exceções pra beneficiar o agro, mas é claro que o setor não fica satisfeito e precisa aproveitar a oportunidade quando um dos seus chega no Jornal Nacional.
Felizmente, esta mesma pequenez ajuda a entender por que o ex-governador de Goiás precisa de um milagre pra ser presidente do Brasil.
Thread
Nenhum Voo ainda