A xenofobia cresce a cada eleição no Brasil e a Bahia é o alvo principal. Milhões de pessoas do Centro-Sul acreditam que os baianos são responsáveis pelos problemas do Brasil porque não sabem votar, não trabalham e sugam impostos que eles pagam.
A mentira é mãe do preconceito: popularizaram até uma tabela que divide o Brasil entre estados que pagam impostos e os que recebem impostos...
Todos os aspectos da federação são esquecidos, ainda mais a história. Tudo se reduz a uma subtração tirada de contexto para rotular certos estados como parasitas.
Ninguém lembra que o nordestino é obrigado a pagar ICMS em SP por conta de regras tributárias exóticas e criadas na ditadura com apoio da FIESP. Ninguém lembra que o nordestino paga mais caro por produtos piores de SP porque a economia é fechada.
O baiano sabe votar e conhece a Bahia melhor do que qualquer palpiteiro do Centro-Sul. Foi por isso que o eleitorado puniu o PT pela crise de segurança pública na Bahia. Basta comparar a eleição de 2018 com a de 2022: o candidato petista precisou de 2º turno e perdeu grande parte do eleitorado.
Todas as pesquisas mostram que o baiano se preocupa muito com a segurança pública, mas avalia bem o governo em outras áreas. Em 2026, Jerônimo só foi eleito porque vai terminar o mandato com uma redução dos homicídios próxima de 40%.
Na eleição presidencial, o voto de um baiano vale tanto quanto o de um paulista. Se dependesse só da Bahia, Lula não conseguiria nem chegar ao 2º turno. Nenhuma cidade deu tantos votos a Lula quanto a mais rica e produtiva do país.
Ontem, Lula venceu na cidade de São Paulo mais uma vez. A cidade mais rica do Brasil já teve 3 prefeitos do PT contra 0 de Salvador, a Roma Negra, onde Jerônimo perdeu em todas as zonas eleitorais e teve votação menor que a de Haddad na capital paulista.
Muita gente prefere ignorar isso tudo. Afinal, odiar e botar a culpa no outro é gostoso demais, ainda mais quando o outro é mais moreninho e mais pobre.
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