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O que essa publicação do Bahia esconde sobre a política da América Latina O Bahia divulgou uma arte para o jogo contra o Mirassol em celebração à identidade latino-americana. A imagem reúne bandeiras de diferentes países, símbolos indígenas e referências aos protestos chilenos de 2019 e à música do Calle 13, ligando o futebol à história política e cultural da região. A composição remete à fotografia feita pela atriz Susana Hidalgo em 25 de outubro de 2019, durante uma manifestação em Santiago, no Chile. Naquele registro, uma multidão ocupa o monumento ao general Manuel Baquedano. No alto, um homem ergue uma bandeira mapuche contra o céu alaranjado.
Os protestos começaram com a reação ao aumento da tarifa do metrô, mas passaram a reunir cobranças sobre aposentadorias, saúde, educação e custo de vida. A mobilização expôs a distância entre os resultados econômicos apresentados pelo país e as condições em que parte da população vivia. Na ilustração do Bahia, a disposição das pessoas, o monumento ocupado e a figura no topo retomam aquela cena. As bandeiras de outros países ampliam a referência chilena para uma celebração latino-americana, aproximando populações que também convivem com desigualdade e disputas pelo acesso a direitos. O símbolo indígena muda entre as duas imagens. Na fotografia de Susana Hidalgo, aparece a Wenüfoye, bandeira do povo mapuche, cuja presença histórica abrange territórios hoje situados no Chile e na Argentina. Na arte do Bahia, o homem segura a Wiphala, reconhecida pelos quadrados coloridos.
A Wiphala está associada aos povos indígenas andinos e aparece em mobilizações por reconhecimento político e defesa de seus territórios. Sua presença no alto da composição dá destaque a populações cuja história antecede a formação dos países que aparecem nas demais bandeiras. No Chile, os manifestantes subiram no monumento ao general Manuel Baquedano para dar visibilidade às suas reivindicações. O espaço dedicado à homenagem militar foi tomado pela população que cobrava mudanças. A arte do Bahia retoma essa cena, com a multidão e suas bandeiras em destaque. Na arte do Bahia, o pedestal recebeu a inscrição “Un pueblo sin piernas pero que camina”. O verso é da música “Latinoamérica”, do grupo porto-riquenho Calle 13, e descreve a persistência de um povo mesmo quando lhe faltam condições para seguir.
A canção trata da exploração econômica e do pertencimento à região, com referências ao trabalho, à terra e à memória. A gravação reúne as cantoras Susana Baca, do Peru, Totó la Momposina, da Colômbia, e Maria Rita, do Brasil. Mais abaixo, uma bandeira branca traz um mapa e a expressão “América Latina unida”. As bandeiras nacionais identificam os países presentes na homenagem. O mapa reúne essas identidades e inclui México, América Central e Caribe, estendendo a celebração para fora da América do Sul. A bandeira brasileira aparece entre as demais. Na publicação oficial sobre a programação, o Bahia explicitou essa ligação: “A América Latina também tem um tanto de Bahia!”. O clube relacionou a homenagem à diversidade cultural de seu elenco e à proximidade do Dia da Identidade Latino-Americana.

A homenagem tem antecedentes nas ações do clube. O Bahia apresentou uma terceira camisa dedicada aos povos indígenas, criada com a participação de representantes dessas populações no estado. Também já usou as cores do arco-íris nos números dos uniformes em uma campanha contra a LGBTfobia. Ao escolher essas referências para celebrar a América Latina, o Bahia deu espaço às lutas sociais que também fazem parte da história da região. A homenagem levou ao futebol a memória de populações que ocuparam as ruas e continuam buscando reconhecimento para suas culturas e seus direitos. #Bahia #AméricaLatina #Política #Mirassol

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