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ONU aprova o novo mapa-múndi A aprovação, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2026, de resolução favorável à utilização da projeção Equal Earth conferiu nova legitimidade internacional às experiências cartográficas que o IBGE já vinha apresentando mais recentemente em seus mapas-múndi. Ao adotar a Equal Earth, centralizar o Brasil e experimentar a inversão da orientação convencional Norte–Sul, o Instituto passou a explicitar que toda representação cartográfica resulta de escolhas técnicas e convencionais. A convergência com a decisão das Nações Unidas ocorre especialmente na adoção de uma projeção de áreas equivalentes, capaz de representar de maneira mais proporcional as dimensões territoriais dos continentes. As demais escolhas do IBGE — centralidade brasileira e inversão Norte–Sul — possuem sobretudo caráter crítico e pedagógico, ao demonstrar que a organização visual do mundo não constitui uma ordem natural, mas uma convenção historicamente construída. Nesse sentido, a experiência recente do IBGE pode ser compreendida como parte de uma transformação mais ampla da geopolítica do conhecimento. Durante os séculos XIX e XX, grande parte dos padrões utilizados para representar o mundo foi produzida nos centros dominantes do Norte Global. A atualidade das novas iniciativas cartográficas provenientes da África, da América Latina e de outros espaços do Sul Global indica uma disputa crescente para além da participação na economia e nas instituições internacionais. Indica também a capacidade de definir os próprios padrões mediante os quais o mundo é conhecido e representado. Em síntese, a estatística e geociências não apenas descrevem uma ordem existente, como também participam da construção das categorias e representações pelas quais essa ordem se torna inteligível e pode ser modificada.

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