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Autonomia Estatística em Questão As mudanças recentes em governos das Américas recolocam em debate o risco da interferência política sobre os Institutos Nacionais de Estatística (INE's). Experiências nos Estados Unidos, Argentina e Colômbia revelam tensões sobre o que medir, como produzir e como divulgar estatísticas oficiais. O desafio não é a orientação ideológica dos governos, mas preservar a autonomia técnica da produção estatística como fundamento da confiança pública. Na era digital, entretanto, é preciso distinguir governança de dados de produção estatística. A governança organiza o ecossistema com regras, responsabilidades, interoperabilidade, segurança, acesso e soberania dos dados. A produção estatística transforma diferentes fontes em informação oficial, mediante conceitos, classificações, metodologias e critérios técnicos. Portanto, a integração e a governança dos dados podem ser coordenadas pelo Estado, mas não devem permitir a interferência política sobre métodos, resultados ou séries estatísticas. O caminho propositivo é construir uma governança nacional integrada de dados, com autonomia técnica dos INE's, transparência metodológica, proteção do sigilo, interoperabilidade responsável e controle social. Quanto mais amplo e poderoso for o ecossistema de dados, maiores devem ser as salvaguardas institucionais contra sua captura política, econômica ou tecnológica. O princípio orientador deve ser claro com a governança integrada, produção estatística autônoma. Governos devem governar políticas públicas; os institutos estatísticos devem produzir conhecimento confiável sobre a realidade. Assim, a transformação digital poderá ampliar, e não reduzir, a capacidade democrática do Estado de conhecer a sociedade, planejar o futuro e exercer sua soberania sobre os dados.

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