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A matéria do Metrópoles parte de uma denúncia da deputada Bia Kicis. E qual é, afinal, a denúncia? Que um podcast criado para falar sobre mulheres e política entrevistou… mulheres políticas. Sim. É exatamente isso. Durante os sete anos em que estive sem mandato parlamentar, fundei e dirigi o Instituto E Se Fosse Você?, uma organização dedicada à defesa das mulheres e ao enfrentamento da violência política. Há meses estou afastada da organização em função da disputa eleitoral. Para meu orgulho, nos anos em que ocupei a Presidência, o Instituto organizou campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos, criou e dirigiu um abrigo para meninas e mulheres durante as enchentes no Rio Grande do Sul, mantém uma casa de cultura e uma biblioteca comunitária, criou o primeiro serviço de acolhimento a mulheres em situação de violência política, realiza um clube de leitura contra a desinformação e organiza o MEL — Mulheres em Lutas, um dos maiores festivais de mulheres do país. Tudo isso sustentado basicamente por recursos próprios, inclusive pela venda dos meus livros e de produtos do Instituto. Entre essas muitas ações está justamente um podcast para ouvir mulheres e debater a presença delas na política. E, vejam só, para falar sobre mulheres e política, convidamos mulheres que fazem política. Ouvimos mulheres de diferentes campos, trajetórias e regiões: Joice Hasselmann, Kátia Abreu, Marina Silva, Áurea Carolina, Carol Dartora, entre muitas outras. Mulheres de esquerda, de centro e de direita; de grandes cidades e de municípios menores. No Brasil, há eleições a cada dois anos. É evidente que, em um projeto permanente sobre participação política feminina, algumas dessas mulheres serão candidatas em uma eleição, outras em outra e muitas não serão candidatas. O podcast não nasceu para esta eleição e nem sequer tem o YouTube como sua plataforma prioritária. Foi concebido principalmente para as plataformas de áudio. Respeitamos e defendemos todos os processos de fiscalizacao e, quando e se formos notificados, responderemos com absoluta tranquilidade. Enquanto isso, seguiremos fazendo aquilo que parece ter causado tanta surpresa: colocando mulheres para falar de política. Porque mulheres falando de política não são uma irregularidade. São democracia.
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