Lula x Milei: disputa de colonizados
A ruidosa passagem do presidente argentino Javier Milei pelo Brasil, para participar do lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, gerou um atrito diplomático que os dois países não registravam há tempos e que, por sua importância geopolítica para a América do Sul, poderiam perfeitamente dispensar.
Milei, que age como um bufão com um comportamento limítrofe da insanidade, adotou o “socialista” Lula como um dos alvos rotineiros de suas diatribes, em grande medida, usadas para desviar as atenções dos argentinos dos inúmeros problemas do seu governo “anarcocapitalista”, como ele próprio o define. Por sua vez, o presidente brasileiro tem tirado proveito de investidas externas, como as diatribes de Milei e o tarifaço de Donald Trump, para escudar-se por trás de uma alegada “defesa da soberania” do país.
A rigor, são dois colonizados é Matis circenses disputando quem é o mais submisso a diferentes vertentes do “globalismo”: Milei, com sua adesão canina (no caso, quase literal, dada a sua autoproclamada capacidade de comunicação telepática com seu cachorro morto) ao “anarcocapitalismo” e ao fundamentalismo belicista sionista encarnado no premier israelense Benjamin Netanyahu; Lula, com a obsessiva opção pela agenda ambientalista-indigenista-identitária e, não menos, pelo “livre comércio” (União Europeia, China, Coreia do Sul etc.).
Nessa peleja de escravizados mentais, fica em risco o Mercosul, que, embora tenha ficado muito aquém de suas potencialidades de avanço na construção de uma área econômica integrada, ainda representa a visão de futuro e o empenho histórico de líderes brasileiros e argentinos mais comprometidos com a construção de um espaço cooperativo e de segurança do Atlántico Sul que emergiu depois da Guerras das Malvinas.
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