Aonde vais com o ouro, Holanda?
O banco central da Holanda (DNB) anunciou a transferência para Londres de 86 toneladas de suas reservas de ouro que estavam depositadas na Reserva Federal de Nova York e no Banco Central do Canadá em Ottawa. O montante representa 14% das reservas de ouro do DNB, das quais 51% estavam anteriormente guardadas nos dois bancos centrais.
“Isso agiliza uma ação do DNB em uma situação de crise”, afirma um comunicado do banco.
A ação do DNB é um sinal inequívoco de esgotamento do sistema global centrado nos EUA. Enquanto o governo de Donald Trump terça armas com a Reserva Federal para ajustar os juros do banco central aos seus planos de reindustrialização, os holandeses se movimentam num retorno às origens. O Banco de Amsterdam, antecessor distante do DNB, e o Banco da Inglaterra, ambos criados no século XVII, são as origens do sistema de bancos centrais independentes que está no centro do impasse financeiro global.
E vale recordar que, nos últimos dois anos, até mesmo o Brasil trocou por ouro US$ 61 bilhões de suas reservas cambiais, apesar de mantê-lo custodiado em Nova York. Talvez, seja hora de pensar em imitar os holandeses.
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