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Helsinki 2.0: ampliando o conflito para chegar à paz e à cooperação Em recente entrevista ao conhecido canal do Dr. Glenn Diesen, o respeitado professor de Assuntos Russos da Universidade do Leste da Noruega, George Beebe, ex-diretor da CIA para Análises da Rússia, lançou uma proposta instigante: para se solucionar os conflitos em curso no Irã e na Ucrânia, é preciso ampliar o seu escopo. Mas não no sentido de uma escalada militar tradicional, e sim quanto a se incluírem nas considerações os interesses de todas as partes engajadas, e não apenas os dos EUA e seus aliados, como é o pensamento padrão das elites dirigentes estadunidenses, europeias e israelenses. Para Beebe, não há solução militar para ambos os conflitos e cita como exemplo o fato de que os ataques de “decapitação” dos EUA e Israel contra as lideranças iranianas produziram o efeito contrário ao esperado, reforçando, e não enfraquecendo o regime clerical de Teerã. Segundo ele, um precedente que pode ser seguido como exemplo é o da Conferência de Helsinki de 1975, que contribuiu para a distensão entre os dois lados da Guerra Fria e, em última análise, pavimentou o caminho para a queda do Muro de Berlim e a posterior implosão da União Soviética, no período 1989-1991. Beebe afirma que o marco de segurança comum europeia e respeito às soberanias e fronteiras estabelecido em Helsinki, na linha do que o então papa Paulo VI chamava a Grande Europa, pode ser atualizado para o século XXI e aplicado também ao confronto no Oriente Médio, acomodando os interesses do Irã e seus aliados. De fato, se implementado, tal “Helsinki 2.0” pode balizar uma transição controlada para o indisfarçável colapso da hegemonia dos EUA no cenário global, evitando o caos que marcou o fim da URSS e as turbulências criadas pelo advento da “unipolaridade” dominada por Washington.

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