Brasil: atração fatal pelo livre comércio
Em resposta ao novo tarifaço de Donald Trump, o governo brasileiro estuda uma espécie de acordo de livre comércio com a Coreia do Sul – uma potência industrial de primeira classe – e propõe um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a maior potência industrial do planeta, a China.
Parece escapar aos diligentes líderes políticos nacionais a ironia máxima de que o Império do Centro é hoje a grande campeã do livre comércio e da globalização, assim como o Império Britânico foi no século XIX e nas primeiras décadas do XX.
Ora, acordos do gênero costumam ser fatais para indústrias emergentes. Nas últimas décadas, o Brasil já viu o peso relativo de sua indústria no PIB cair de mais de 25% para a casa de 10%, índice inferior ao da República Velha, talvez, o processo de desindustrialização mais acentuado de todo o mundo. A obsessão com o livre comércio tende a acelerar ainda mais a tendência.
Aparentemente, trata-se de uma herança atávica do passado colonial brasileiro, uma vez que Portugal também arruinou as suas possibilidades industriais com o infausto Tratado de Methuen de 1703 com a Inglaterra (que admitia tecidos ingleses praticamente livres de tarifas em Portugal, contra uma cota de importação de vinhos portugueses pela Inglaterra) e, depois, repetiu a dose com o Tratado de 1810, que aplicava aos produtos industrializados ingleses importados pelo Brasil uma tarifa de 10%, enquanto todos os demais países, inclusive o próprio Portugal, pagavam 25%.
Talvez, venha daí a conhecida expressão brasileira sobre “acordos caracu”.
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