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A jogada do “protocolo de intenções” com a Ambipar Na semana passada,se anúncio a assinatura de um protocolo de intenções entre o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a empresa Ambipar, para uma série de serviços nas terras indígenas nacionais. O assunto repercutiu ainda mais pelo fato pitoresco de ter sido anunciado na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, onde o destaque da participação brasileira foi a agenda ambiental, com ênfase especial na “proteção” dos biomas da Amazônia, com as presenças ilustres, entre outras, do governador do Pará, Helder Barbalho, do ministro do STF Luís Roberto Barroso, do secretário-executivo do MPI, Eloy Terena, e do climatologista Carlos Nobre, o “sumo sacerdote” do catastrofismo ambiental e climático no Brasil. Rapidamente, se espalhou pelo país a informação de que o governo havia transferido a gestão das terras indígenas, cerca de 14% do território nacional, a um grupo privado. Dias depois, a Ambipar comunicou o levantamento de US$ 400 milhões no mercado internacional, com a emissão de “green notes”, títulos de dívida vinculados a ações e programas de “sustentabilidade”. A Ambipar é uma empresa com operações em 39 países, especializada em gestão de resíduos, resposta a emergências e uma variedade de projetos vinculados à chamada transformação ecológica. Desde o ano passado, tem sido objeto de suspeitas na Bolsa de Valores B3, por suas ações terem fechado o ano com uma valorização superior a 1.000%, a maior da bolsa, entrando na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pela valorização “atípica”. Em 2024, a empresa fechou cinco contratos com o MPI (três sem licitação), no valor total de R$ 480,9 milhões, para prestar diversos serviços de assistência logística em terras indígenas. Os indícios sugerem que a empresa, com seus vínculos internacionais, é uma das peças-chave do esforço do governo Lula para preservar a fantasia da “potência verde”, aliás, aparentemente, o único motivo para a manutenção da ministra do Meio Ambiente Marina Silva no cargo, depois da perda dos dois principais apoios internacionais à agenda que ela representa, os EUA de Joe Biden e a União Europeia pré-Trump. De fato, uma empresa privada que terá algum tipo de ingerência na gestão de 14% do território nacional é um trunfo importante para que essa área colossal seja apresentada como um “colateral” para a atração de mais investimentos “verdes” nos mercados financeiros, e o governo Lula teria uma “multinacional verde” para chamar de sua. Mas essa “financeirização” da política ambiental não é coisa nova. Os seus princípios básicos foram apresentados já em 1987, no Quarto Congresso Mundial de Áreas Selvagens, realizado em Denver, nos EUA, quase simultaneamente com a divulgação do célebre relatório Nosso Futuro Comum da Comisco Brundtland, que introduziu o conceito de “desenvolvimento sustentável”. Ali, altos potentados financeiros, como os bilionários Edmond de Rothschild e David Rockefeller, o secretário do Tesouro dos EUA, James Baker, o magnata canadense Maurice Strong, fundador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), altos funcionários do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e das Nações Unidas, discutiram o estabelecimento de uma estrutura financeira mundial para atividades de “conservação ambiental”. Na prática, como usar tais recursos para interferir diretamente nas políticas de desenvolvimento dos países em processo incipiente de industrialização e controlar os seus recursos naturais. O protocolo de intenções com a Ambipar é mais uma jogada dessa agenda que combina intervencionismo externo com a submissão de lideranças políticas brasileiras, mais interessadas no “balcão de negócios verde” do que com o desenvolvimento real da Amazônia e do País.

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