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Reciprocidade? Apliquem um “momento Hamilton” brasileiro O governo Lula abriu um processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os EUA, em função do recente tarifaço aplicado ao Brasil pelo governo do presidente Donald Trump. A questão é que enquadrar a reação nacional no terreno comercial estabelecido por Washington implica em limitar grandemente as opções brasileiras, cujas lideranças parecem não estar prestando a devida atenção às rápidas mudanças na ordem de poder global, marcada pelo ocaso do “globalismo” em todas as suas manifestações, a começar pelo próprio conceito de livre comércio (cujo maior defensor atual, ironicamente, é a China, que precisa de mercados externos para desovar a vasta produção industrial incapaz de ser absorvida pelo consumo interno). Os próprios EUA estão às voltas com uma virtual guerra civil, com a Casa Branca tentando equilibrar-se entre as forças políticas, econômicas e financeiras que se empenham na preservação – de todo inviável – do momento “unipolar” do período pós-Guerra Fria e um grupo pró-industrialista engajado em uma retomada dos princípios econômicos que construíram o país como a maior potência industrial do mundo. Em outras palavras, aplicando as políticas idealizadas pelo secretário do Tesouro de George Washington, Alexander Hamilton: proteção às indústrias nascentes, desenvolvimento de infraestrutura física, direcionamento do crédito para atividades produtivas e, em paralelo, a formação de oficiais militares imbuídos da visão estratégica da infraestrutura econômica como fundamental para a defesa do país. Os EUA tiveram o seu “momento Hamilton” no final do século XVIII e início do XIX e, agora, algumas lideranças de visão larga consideram a oportunidade de revisitar aquele impulso de progresso. Já o Brasil, se pretende mesmo uma reciprocidade de grande alcance, pode espelhar-se na História e preparar o seu próprio “momento Hamilton”; não haveria reciprocidade mais oportuna do que essa.

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