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Ante o naufrágio de seu governo, Lula atira Marina ao mar A convicção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a ministra do Meio Ambiente Marina Silva representaria um trunfo para o seu governo parece estar abalada. Na verdade, a impressão é que ele se prepara para atirá-la figurativamente ao mar, na disputa sobre a concessão da licença ambiental à Petrobras para a perfuração de um poço exploratório no litoral do Amapá, que se arrasta sem solução desde o início de seu governo. Em uma entrevista a uma rádio de Macapá, na quarta-feira 12, Lula disparou um duro ataque ao Ibama, cuja protelação na concessão da licença só pode ser descrita como uma sabotagem à exploração de hidrocarbonetos, em linha com a conhecida oposição de Marina aos combustíveis fósseis. Disse ele: “Na semana que vem, ou esta semana ainda, vai ter uma reunião da Casa Civil com o Ibama e nós precisamos autorizar que a Petrobras faça a pesquisa. É isso que nós queremos, se depois a gente vai explorar, é outra discussão. O que não dá é para a gente ficar nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo.” Ora, a posição antidesenvolvimentista do Ibama contra projetos de desenvolvimento e infraestrutura é notória e antiga, mas Lula já leva mais de dois anos no governo e tem coonestado por omissão todas as decisões arbitrárias do órgão, e não só na exploração da Margem Equatorial Brasileira, a nova fronteira petrolífera do país. E não se diga que o Ibama é um órgão “técnico”, pois decisões como as dificuldades para a exploração da Margem Equatorial Brasileira, a dragagem do rio Paraguai, o derrocamento do Pedral do Lourenço no rio Tocantins, o asfaltamento da rodovia BR-319, a renovação da licença de operação da usina hidrelétrica de Belo Monte e numerosas outras, nada têm de técnicas, mas são ostensivamente ideológicas e políticas. Na verdade, Lula nunca quis contrariar Marina, que até agora vinha sendo uma fiadora de seu governo junto aos governos de Joe Biden nos EUA e à União Europeia (UE), para os quais o apoio à agenda verde e à poderosa ministra constituía um eficiente instrumento político para manter o Brasil enquadrado na agenda globalista. Com a chegada de Donald Trump e sua firme agenda “antiverde” à Casa Branca e as reações cada vez maiores às pautas verdes e identitárias na UE, reduziram-se consideravelmente as chances de que Lula possa capitalizar o seu compromisso com a agenda da “descarbonização” da economia mundial e do “desmatamento zero” na Amazônia, para a qual a conferência climática COP30, em Belém (PA), em novembro próximo, deveria ser a consagração. O veto à exploração no Amapá era ponto de honra para Marina e seus prosélitos da “Igreja Fundamentalista do Santuário Amazônico”. Lula contava com tudo isso para atrair os bilionários “investimentos verdes” com os quais acenavam os globalistas. Agora, diante do indisfarçável esvaziamento da agenda verde-identitária, das pressões políticas para a liberação da exploração petrolífera e dos problemas crescentes do seu governo, ele se vê compelido a atirar ao mar a sua outrora intocável sumo-sacerdotisa verde, em uma tentativa de evitar um naufrágio catastrófico.

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