Nada justifica o Flávio Bolsonaro estar crescendo nas pesquisas e empatando com o presidente Lula no segundo turno. Nada.
Sim, a gente tem um problema social grave. A maioria da população não se identifica com a esquerda, se identifica muito mais com a direita e com uma visão individualista da vida. E isso não começou agora.
Foi assim em 2018, foi assim em 2022, quando a gente quase perdeu de novo. É por isso que a direita e a centro-direita elegem maioria no Congresso, nos estados, nas prefeituras e nas câmaras municipais. Esse dado existe e não adianta distorcer a realidade.
A verdade é que muita gente não está nem aí para o que a família Bolsonaro fez durante quatro anos de governo. E também não está prestando atenção no que o Lula está fazendo agora.
Isso não é pessimismo. É realismo.
Principalmente entre os jovens, existe uma geração que não se mobiliza por Bolsa Família, política pública ou discurso sobre coletivo. O jovem quer saber se vai conseguir ter uma casa, um carro, um trabalho decente, dinheiro no bolso e alguma perspectiva de futuro. E aí acha que ser anti-sistema é a solução.
E é justamente aí que a gente precisa falar.
Porque não é Flávio Bolsonaro nem a extrema direita que vão entregar essa vida para eles. Quem pode reconstruir essa perspectiva é um projeto de desenvolvimento, emprego, renda, educação, moradia e crescimento. É o projeto que o Lula está tentando reconstruir depois do estrago iniciado com o impeachment.
Tem uma geração inteira que não viveu o Brasil de antes, não lembra do que significou ter emprego crescendo, salário valorizado, universidade expandindo e expectativa de melhorar de vida. Cresceu em outro ambiente político, muito mais individualista e muito mais dominado pela direita.
E isso também faz parte de um movimento mundial. A extrema direita cresceu em vários países porque aprendeu a conversar com frustração, medo, ressentimento e falta de perspectiva.
Então não adianta se enganar.
Tem que correr, lutar todos os dias e fazer campanha como se cada dia fosse decisivo. Mas primeiro a gente precisa admitir o tamanho do problema.
Ainda tem mídia, uma desgraça!
Não é pessimismo. É a realidade que a gente precisa enfrentar se quiser ganhar.
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