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Como alguém que é homossexual ou simpatizante pode votar na esquerda ??? Nunca vou entender isso. Análise factual e histórica da posição de governos, partidos comunistas e líderes de esquerda em relação aos homossexuais, baseada estritamente em registros documentais, correspondências e legislação oficial. 1. Karl Marx e Friedrich Engels (Século XIX) Embora as bases teóricas do marxismo não tratassem especificamente da homossexualidade, as correspondências pessoais entre Marx e Engels revelavam a mentalidade da época. [1, 2, 3, 4] O fato: Em 1869, ao comentarem sobre o livro de Karl Heinrich Ulrichs (um dos primeiros defensores da descriminalização da homossexualidade), ambos utilizaram termos depreciativos em tom privado. [1, 2, 3] A citação: Em carta a Marx datada de 22 de junho de 1869, Engels escreveu de forma hostil: "Os pederastas estão começando a contar-se e estão se dando conta que são um poder nesse estado", referindo-se ironicamente à organização desses grupos. Marx, por sua vez, empregava termos como Schwanzschwulen (termo pejorativo em alemão) para desqualificar opositores políticos como Karl Boruttau. [1, 2, 3] 2. União Soviética: Lênin e Stalin (1917–1953) A postura do Estado soviético passou por duas fases radicalmente distintas em sua legislação oficial. [1] Período Lênin (1917–1924): Com a revogação das leis czaristas após a Revolução de Outubro, o Código Penal Soviético de 1922 não incluiu a sodomia no rol de crimes, resultando na descriminalização técnica da homossexualidade na Rússia e na Ucrânia. [1, 2, 3] Período Stalin (1924–1953): Houve uma guinada conservadora e a homossexualidade passou a ser tratada formalmente como uma "degeneração burguesa" ou sinal de espionagem. [1, 2] Documento Oficial (Artigo 121): Em março de 1934, o governo de Josef Stalin adicionou formalmente o Artigo 121 ao Código Penal da URSS, que criminalizava explicitamente as relações sexuais entre homens (muzhelozhstvo), estipulando penas de até 5 anos de trabalhos forçados ou aprisionamento em Gulags. Estima-se que dezenas de milhares de homens tenham sido condenados sob este artigo até sua revogação em 1993. [1, 2, 3, 4] 3. Cuba: Fidel Castro e Che Guevara (A partir de 1959) Nos primeiros anos da Revolução Cubana, a homossexualidade masculina era vista institucionalmente como incompatível com o ideal do "Homem Novo". [1] Che Guevara: Não há ordens ou citações documentadas assinadas diretamente por Che Guevara determinando a execução ou prisão de indivíduos unicamente devido à sua orientação sexual. Contudo, como cofundador do regime, endossava a linha ideológica severa do exército revolucionário. Em seus diários de juventude (De moto por Sudamérica), ao descrever um conhecido gay, usou o termo "pervertido" para caracterizá-lo. [1, 2, 3] Documento Oficial e Institucional (As UMAPs): Em 1965, o governo cubano instituiu as Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAPs). Eram campos de trabalho agrícola forçado destinados a indivíduos que não podiam servir no exército regular ou que eram considerados "desviantes", incluindo religiosos (Testemunhas de Jeová) e homossexuais. As UMAPs foram fechadas em 1968 devido a protestos de intelectuais internos e internacionais. [1, 2, 3, 4] Citação de Fidel Castro: Em entrevista ao jornalista Lee Lockwood em 1965, Fidel declarou que "uma homossexualidade desse tipo não existe na nossa sociedade... nenhum homossexual poderia personificar as condições e os requisitos de conduta que nos permitiriam considerá-lo um verdadeiro revolucionário". A Autocrítica (2010): Em 31 de agosto de 2010, em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, Fidel Castro assumiu pessoalmente a responsabilidade histórica pela perseguição: "Se alguém é responsável, esse alguém sou eu... Tivemos tantos e terríveis problemas, problemas de vida ou morte, que não prestamos atenção suficiente", classificando os confinamentos da época como uma "grande injustiça". [1, 2, 3, 4, 5] 4. China: Mao Tsé-Tung (1949–1976) Sob a liderança de Mao Tsé-Tung, o Partido Comunista Chinês operou sob uma política de invisibilização e repressão médica e penal da homossexualidade. O fato: Embora a homossexualidade não constasse explicitamente como um crime específico codificado no direito penal chinês inicial, ela era enquadrada e punida sob a acusação ampla de "vandalismo" ou "crime de hooliganismo" (liúmáng zuì), além de ser classificada oficialmente pelo Estado como uma "doença mental". A punição: Pessoas identificadas como homossexuais enfrentavam perseguição social severa, reeducação pelo trabalho, humilhação pública e internação em clínicas estatais. A homossexualidade só foi formalmente descriminalizada na China em 1997 (com a reforma do crime de vandalismo) e removida da lista de doenças mentais do país em 2001. [1] 5. Camboja: Pol Pot e o Khmer Vermelho (1975–1979) O regime totalitário agrário do Khmer Vermelho no Camboja baniu por completo qualquer comportamento que desviasse da estrutura familiar tradicional estritamente regulada pelo Estado (Angkar). O fato: Sob o comando de Pol Pot, o regime impôs casamentos coletivos forçados e decretou a proibição absoluta de quaisquer relações sexuais fora do casamento heterossexual sancionado pelo Estado. A punição: A homossexualidade era tratada como uma infração ideológica grave e uma "ofensa moral contra a revolução". Práticas homossexuais documentadas resultavam em execuções sumárias nos campos de extermínio (Killing Fields), como parte da purga geral de "influências ocidentais ou decadentes".

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