A desigualdade social existe. E fingir que ela não está presente dentro das instituições é fechar os olhos para a realidade.
Ivanildo é motoboy. Em plena pandemia, ele estava nas ruas levando cheques - cumprindo ordens do patrão - buscando o sustento da família. Como tantos outros, não conferia o que carregava.
Apenas levava.
Mesmo sem histórico criminal, com uma vida simples e honesta, ele foi interrogado com frieza por políticos. Foi julgado pelo rótulo, não pelos fatos.
Ao contrário de Virgínia, Ivanildo não foi ouvido. Foi interrogado.
Ele foi ameaçado e encurralado para entregar algo que nem mesmo sabia o que era.
E para Virgínia... pediram fotos e selfies.
Dói ver que um trabalhador, que deveria encontrar no Judiciário e na política um abrigo de justiça, saiu pisoteado, emocionalmente esmagado.
Não por leis, mas por olhares, julgamentos e palavras de quem deveria saber ouvir antes de acusar.
Não é sobre profissão.
É sobre humanidade.
É sobre um Brasil que ainda julga pela cor, pela condição social, pela simplicidade.
© Paulo Vitor Fagundes
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