Banqueiro reclamando de jornalista para executivo de grupo de comunicação não é exclusividade de Vorcaro.
Até um famoso rival dele fazia isso em reunião, embora não haja print.
É uma covardia arraigada na ala podre da elite econômica, que oferece patrocínios em busca de acobertamento midiático para práticas indefensáveis.
O problema é justamente quando o executivo concorda, ou quer concordar, com bilionários que apelam ao andar de cima, em vez de enviarem notas aos repórteres e de se colocarem à disposição para entrevista.
Se uma emissora não demitisse esse tipo de executivo, que acha “cansativo e desnecessário” o jornalismo inconveniente a um empresário envolvido em operações fraudulentas e outros esquemas, ela compactuaria com o escambo.
Por isso, a demissão do executivo é natural quando os casos vêm à tona.
Mas há muitos casos no Brasil que não vêm à tona, que envolvem os próprios donos de veículos de comunicação, e que, em geral, resultam no encerramento do contrato não de um executivo, mas do próprio jornalista que publicou informações verdadeiras, porém inconvenientes a pessoas poderosas, não somente do mercado financeiro, mas da cúpula da República.
Essa é a tradição brasileira.
A exceção ajuda a lançar luz sobre a regra.
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