A ganância de ministros de tribunais superiores está na raiz da crise.
Suas famílias faturam alto em escritórios de advocacia com o chamariz de seu cargo no Judiciário e de seu poder político na República do Escambo.
Além dos contratos milionários fechados com familiares, os próprios magistrados aceitam mimos (como charutos, whisky Macallan, transporte em aeronaves, estadias em hotéis de luxo e cachês sigilosos em eventos nacionais e internacionais) de empresários interessados em seus votos, decisões e influências.
O que já era insustentável do ponto de vista moral e inaceitável do ponto de vista institucional agravou-se com a revelação de mensagens entre banqueiro mafioso e magistrado tratado como potencial interventor para travar investigações e consultor para a possibilidade de fuga do país antes de sua prisão.
Mas essa foi apenas a cereja do bolo de um longo processo de corrosão da ética no Judiciário, com o qual o Senado Federal compactuou por rabo preso e setores do mercado da comunicação igualmente compactuaram, seja pela mais atroz das ingenuidades, seja porque o alinhamento com o poder é altamente rentável.
A patrulha contra a divulgação de verdades inconvenientes foi indecorosa ao longo da última década, com telefonemas exploratórios para redações e demais pressões pela retirada de microfones e cargos daqueles que apontaram na raiz as escaladas da indecência e do autoritarismo, a segunda delas implementada para acobertar e preservar impune a primeira.
Agora se viola até sigilo da fonte jornalística para blindar a casta do sistema contra a revelação de fetos incômodos. E os caminhos para responsabilizar e punir os intocáveis são fechados por eles próprios, com decisões esdrúxulas e autoritárias ainda defendidas por porta-vozes zelosos em parte da imprensa e do mundo jurídico.
Em ano de eleição, natural seria o eleitorado escolher um candidato que jamais teve relações financeiras com empresários interessados em seu cargo e no poder, ou na perspectiva de poder, de seu grupo político.
Mas boa parte do eleitorado pretende manter o país como está, com uma guerra permanente de facções que, no fim, acabam fechando acordo pela impunidade geral.
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