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Maranhão consolidou-se como epicentro do desmatamento brasileiro entre 2020 e 2026. Segundo o PRODES/INPE, o Cerrado teve altas sucessivas de 25%, 7,9% e 25,3% em 2020, 2021 e 2022, chegando a 11.011,7 km² em 2023, com o Matopiba concentrando 75% da devastação. Em 2023, o estado assumiu pela primeira vez a liderança nacional, com alta de 95,1% e perda de 331 mil hectares de vegetação nativa. Mesmo com as quedas registradas em 2024 e 2025, o Maranhão seguiu como o estado com maior área suprimida no Cerrado (2.006 km² no PRODES 2025). Esse desmatamento está diretamente vinculado à expansão do agronegócio — 97% da supressão de vegetação no país tem a agropecuária como vetor — concentrada na fronteira da soja e do milho no sul do estado, em municípios como Balsas, Caxias e Mirador. E foi induzido por políticas públicas: o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba (Decreto nº 8.447/2015), o crédito rural subsidiado — o CIMI documentou financiamento do Banco do Brasil a fazenda que desmatou 95% de sua área, sobreposta a terras indígenas —, a flexibilização do licenciamento pela SEMA e a Lei Estadual nº 12.169/2023 ( Lei da Grilagem) que facilita a titulação de terras devolutas griladas.O agravante é que grande parte dessa destruição é formalmente “legal”: mais da metade do desmatamento no Cerrado é autorizado pelos estados, pois o Código Florestal permite suprimir até 80% da vegetação nativa em propriedades privadas no bioma. Assim, os dados do PRODES revelam não apenas perda ambiental, mas a chancela estatal de um modelo que converte territórios de povos e comunidades tradicionais em ativos do agronegócio. No Maranhão, a boiada passou muito antes do famigerado governo Bolsonaro e segue passando, destruindo e matando. E parece que nada de novo nesse ano eleitoral ocorrerá. Mesmos grupos políticos ( que brigam), mesmas práticas, propostas e políticas públicas. Quiçá uma rebelião dos pobres da terra, das plantas e dos bichos contra toda essa matança posta, que transforma vida em dinheiro. ( vídeo do povoado Marmorana, em Lago Verde-Ma)

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