O Brasil interditado pelo governo
As reservas conhecidas de terras raras no Brasil têm valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional - quase duas vezes o tamanho da economia brasileira. O cálculo é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com base nos preços internacionais e no PIB de 2024. O dado coloca o Brasil numa posição privilegiada na nova geopolítica dos minerais críticos, indispensáveis para baterias, semicondutores, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial e inúmeras tecnologias do futuro.
Essa é a boa notícia. A má notícia é que um governo incompetente, ideologizado e ancorado no atraso pode transformar riqueza em pobreza. Em vez de promover oportunidades, prefere perpetuar uma política assistencialista que esquece - de forma perversa e consciente - que a verdadeira dignidade humana nasce do trabalho, do empreendedorismo e da geração de empregos.
Comentava-me, recentemente, o ex-ministro Aldo Rebelo uma constatação dolorosa. Nas cidades de Roraima situadas na fronteira com a Guiana, o abandono salta aos olhos. Faltam empregos, investimentos e perspectivas. Do outro lado da fronteira, porém, a realidade é completamente distinta. A exploração responsável das riquezas naturais, sobretudo o petróleo, transformou a Guiana em um Estado próspero, com crescimento acelerado e melhoria visível da qualidade de vida.
O contraste revela uma verdade incômoda: o Brasil tornou-se um país que interdita o próprio desenvolvimento. Na Margem Equatorial, a exploração de petróleo permaneceu bloqueada durante anos pela pressão de organizações não governamentais e pela hesitação de um governo incapaz de exercer sua autoridade. Quando finalmente o Ibama autorizou o avanço do projeto, impôs tantas condicionantes que, na prática, compromete sua viabilidade econômica.
A Ferrogrão, fundamental para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade do agronegócio, permaneceu paralisada durante anos por decisão judicial. Projetos estratégicos de mineração, infraestrutura, energia e logística enfrentam uma burocracia sufocante, insegurança jurídica e um ambientalismo ideológico que confunde preservação com paralisia.
Também a oposição decepciona. Em vez de apresentar um grande projeto de país, perde-se em disputas internas, falta de transparência, ressentimentos, acusações mútuas e ausência de visão estratégica.
O país possui riquezas extraordinárias. O que lhe falta não são recursos naturais, mas estadistas. O Brasil merece muito mais do que a administração da pobreza. Merece um projeto nacional de desenvolvimento que transforme suas imensas potencialidades em prosperidade para todos.
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