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O ministro Alexandre de Moraes permanece em silêncio desde o dia 9 de dezembro. Até hoje não apresentou esclarecimentos sobre o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, e o banqueiro Daniel Vorcaro. O tempo passa, as perguntas permanecem e o silêncio se prolonga. Também continua sem resposta outra questão relevante: o celular acionado por Daniel Vorcaro no dia de sua prisão era, ou não, o telefone funcional do ministro? Em qualquer democracia madura, uma dúvida dessa natureza exigiria esclarecimento imediato. O silêncio apenas alimenta a desconfiança. No caso do ministro Dias Toffoli, as informações envolvendo o Resort Tayanna também seguem envoltas em absoluto mutismo. Nenhuma explicação convincente foi oferecida à opinião pública. O senador Jaques Wagner, por sua vez, deixou a liderança do governo no Senado enquanto as acusações que o cercam parecem dissolver-se em um conveniente silêncio, sem o devido esclarecimento dos fatos. A imprensa livre não pode aceitar essa estratégia de desgaste pelo tempo, na esperança de que o interesse público desapareça. O jornalismo existe precisamente para impedir que assuntos de inegável relevância sejam soterrados pelo esquecimento. Sua missão é investigar, confrontar versões, revelar fatos ocultos e cobrar respostas de quem exerce funções públicas. Não se trata de condenar previamente ninguém. Trata-se de exigir transparência. Em uma República, autoridades não são proprietárias do poder; são servidoras da Nação. Por isso, têm o dever de prestar contas à sociedade. Quando perguntas legítimas permanecem sem resposta, cabe à imprensa insistir. Não por militância, mas por compromisso com a verdade. A democracia depende de uma imprensa que não se acomode diante do silêncio nem aceite a submersão como método de apagar fatos de interesse público.

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