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A tentativa de inviabilizar a candidatura à reeleição do senador Alessandro Vieira revela um fenômeno inquietante: a pedagogia do medo. Relator da CPI do Crime Organizado, Vieira cumpriu sua obrigação parlamentar ao pedir o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República. Seu relatório foi rejeitado por seis votos a quatro. O assunto deveria estar encerrado. Não está. Gilmar Mendes representou contra o senador. Paulo Gonet afastou o suposto abuso de autoridade, mas remeteu o caso à Procuradoria Eleitoral de Sergipe. Abriu-se, assim, a possibilidade de atingir sua elegibilidade. A mensagem é clara: quem ousar investigar integrantes do Supremo poderá pagar um preço elevado. A independência parlamentar não pode sobreviver sob ameaça. Quando instrumentos judiciais são utilizados para intimidar, instala-se uma pedagogia perversa: espalhar o medo para produzir silêncio e submissão. Parlamentares, jornalistas e cidadãos começam a medir palavras e evitar perguntas. O Brasil está perigosamente submetido à ditadura da toga. O poder sem limites destrói a autoridade, enfraquece as instituições e sufoca a democracia. Liberdade não combina com medo. E democracia não sobrevive onde investigar os poderosos se transforma em ato de coragem.

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