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Em 1999, a Brahma, detentora na época de + de 50% do mercado de cerveja no Brasil, comprou a Antárctica, criando oligopólio (market share de quase 80%). A Brahma já era dona da Skol, então líder do mercado c/36% da preferência. A "fusão" foi anunciada dentro do Palácio do Planalto, durante o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O Cade, o tribunal encarregado de defender a concorrência, aprovou o negócio meses depois e definiu alguns "remédios" (recomendações para mitigar os efeitos de sua polêmica decisão). Um dos "remédios" foi tão absurdo quanto a própria decisão de aprovar a fusão: a Ambev, o novo oligopólio, deveria vender pequenas fatias de seu negócio; porém, os compradores não poderiam deter mais de 5% do mercado. Ora, ao estabelecer essa regra, o Cade eliminou a possibilidade de crescimento das duas empresas que, antes da criação da Ambev, competiam no mercado com a Brahma, a Skol e a Antárctica: a Kaiser e a Schincariol. A Kaiser, cujos donos eram os engarrafadores da Coca-Cola Brasil afora, detinha 15,3% do mercado nacional, mas, no estado de São Paulo, o maior mercado do país, sua fatia era de 55%. A matriz americana da Coca-Cola tinha participação minoritária no capital da Kaiser, um caso único de investimento da mais famosa marca de refrigerante do planeta no segmento de bebidas alcoólicas. A Heineken também tinha participação acionária na Kaiser. Sem poder crescer para enfrentar o novo oligopólio, aqueles concorrentes da Ambev desapareceram, junto com centenas de milhares de empregos, toda a renda gerada pelos negócios e os tributos recolhidos pelos municípios, estados, o DF e a União. Este é o custo socioeconômico de todo oligopólio. Eu trabalhava no Jornal do Brasil na época da fusão, como titular da coluna diária "Informe Econômico". Com a ajuda de uma fonte da própria Brahma, publiquei dezenas de matérias revelando o que estava por trás daquele negócio. Jamais conheci a referida fonte, eu sequer soube seu nome. Ele me ligou a primeira vez e disse assim: "Você está cobrindo 'direitinho' o caso Brahma-Antarctica. Por isso, deixei um material aí na portaria do JB que pode lhe interessar". Eram documentos confidenciais da Brahma que descreviam as "justificativas" empresariais da fusão. À medida que eu usava os dados, sempre confrontando-os com as empresas envolvidas no negócio, mais material chegava ao número 500 da Avenida Brasil, onde ficava a imponente sede do saudoso Jornal do Brasil. Entrevistei todos os envolvidos na "fusão", o que incluiu, além dos empresários e especialistas no tema, os representantes dos três órgãos do governo que cuidam de concorrência: o Cade, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. Fiz entrevista de página inteira com o então presidente da Ambev, Marcel Telles, e na página espelhada, com o então presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho Jr. Os dois pingue-pongues se confrontavam, cada qual com seus argumentos, e coube ao leitor decidir o que pensar sobre a "fusão". No início da cobertura, recebi um telefonema do então dono e presidente do JB, José Antônio do Nascimento Brito, o Josa, para me certificar de que, embora ele e o jornal fossem favoráveis à fusão da Brahma com a Antárctica, eu tinha TOTAL liberdade para seguir em frente com minha apuração. E assim foi até o fim. Eu NUNCA fui censurado durante os 7 anos em que trabalhei no Jornal do Brasil. Na semana passada, o @OfcVeronoticias publicou informações sobre prática de monopsônio pela Ambev, isto é, a obrigatoriedade de que varejistas só vendam produtos de sua marca. Aproveitei para voltar a escrever sobre o tema 26 anos depois #Ambev #Oligopólio #Cade #Brahma #JornalismoInvestigativo #Cerveja #Antarctica #Kaiser #CocaCola #Competição #Monopsonio #Monopsônio #JornaldoBrasil #JB @Ambev veronoticias.com/artigo/monopolio-s-a-o-br...

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