Eis os números definitivos da Copa do Mundo de 2026, conquistada há pouco pela Espanha.
Esta classificação geral é um exercício livre, uma vez que não se trata de um torneio disputado por pontos corridos.
Apesar disso, reflete com fidelidade o desempenho de todas as seleções, considerando os jogos disputados.
A tabela mostra o Brasil no lamentável 12o. lugar, atrás de Colômbia, México, Suíça e Marrocos. É a realidade nua e crua do estágio atual da seleção brasileira.
Renovam-se as esperanças para 2030, com Ancelotti no comando do time até lá? Confesso ter muitas dúvidas.
O que se diz é que o treinador italiano teve pouco tempo para montar um time. Você acha que 17 ou 18 partidas é pouco tempo para observar, estudar e definir um grupo de jogadores brasileiros para disputar uma Copa? A pergunta é: o que ele teria feito de diferente se tivesse tido mais tempo para trabalhar?
Uma coisa é certa: alguns vícios cometidos nas últimas duas décadas por outros técnicos estão presentes no trabalho de Ancelotti.
Entre os principais, cito:
1. O número excessivo de jogadores convocados desde a chegada dele ao comando (quem convoca muito é porque não sabe o que quer);
2. A pouca atenção dada à maioria dos bons jogadores que atuam no Brasil;
3. A convocação de Neymar (imposição de patrocinador?) quando se sabe que o ex-craque está fora de forma e já não joga em alto nível há bastante tempo. Sua atuação na Copa ficou dentro do previsto: uma lástima;
4. A exclusão, entre outros, de jogadores como João Pedro, destaque do Chelsea na conquista do mundial de clubes da FIFA em 2025, Pedro, centroavante do Flamengo, Matheus Pereira, meia do Cruzeiro, e Thiago Silva (que ainda está jogando em alto nível, aos 40 anos, um a menos que Cristiano Ronaldo e um a mais que Messi, ambos presentes à Copa);
5. A inexistência de um time titular;
6. O apego a jogadores que não renderam o esperado (Alysson, Paquetá, Casemiro e Rayan), enquanto outros, como Luis Henrique, ficaram no banco;
7. A ausência de um esquema tático, além de jogadas ensaiadas;
Os cinco jogos do Brasil na Copa mostraram também que Ancelotti escala e substitui mal. No jogo contra a Noruega, conseguiu piorar um time que já vinha jogando mal, e foi duramente punido por tomar decisões erradas. Colocou Endrick, atendendo à pressão da torcida e da imprensa , num momento delicado do jogo contra a Noruega. Resultado: o jovem atacante perdeu um gol inacreditável!
O Brasil não tem hoje técnicos atualizados e com a qualidade de profissionais europeus e argentinos, para ficar em dois exemplos. No entanto, não sei se Ancelotti, mesmo tendo um currículo brilhante à frente de clubes bilionários como o Real Madrid, é o melhor estrangeiro para o Brasil.
Por que a CBF não cria uma academia de futebol para formar e aperfeiçoar técnicos no Brasil? Apesar do jejum de Copas, o Brasil ainda é o país onde mais se formam jogadores que atuam nas principais ligas. Mas, precisamos mudar a gestão, profissionalizar os clubes de uma vez por todas e criar os melhores incentivos para deixarmos de ser um país exportador líquido de craques e se tornar um importador, característica das nações que, com exceção da Argentina, dominam o futebol mundial neste século.
Hoje, os clubes mais competitivos do país já são treinados por estrangeiros. O português Abel Ferreira está no comando do Palmeiras há mais de cinco anos. É um técnico vitorioso. O também português Jorge Jesus empilhou títulos quando passou pelo Flamengo.
Ora, se não temos técnicos nacionais atualizados, deveríamos contratar um estrangeiro que já conheça e atue - bem - por um clube brasileiro. A CBF optou por trazer um técnico com currículo que desconhece o futebol brasileiro real, aquele jogado por nossos clubes, os responsáveis pela formação dos jogadores que, muito precocemente, saem do Brasil para jogar na Europa.
O Brasil tem condições de voltar a brilhar no futebol. Por quê? Porque a gente sabe jogar bola. Falta organizar o negócio futebol.
Thread
Nenhum Voo ainda