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Sessenta e seis pedidos de impeachment, dezoito arquivados e o resto criando teia de aranha na gaveta, porque Alcolumbre garantiu que não daria andamento nem se os oitenta e um senadores assinassem. Vamos ser honestos. A chance de algo sério acontecer é zero, e não por falta de caminho. É que quem teria de abrir esse caminho está com o rabo preso na mesma gaveta, cada um com seu inquérito, seu parente ou seu contrato esperando a hora certa, e todo mundo sabe quem segura o relógio. Chama-se isso de Poder moderador, mas o nome técnico é chantagem recíproca. Então o que vem abaixo não é previsão. É o que deveria acontecer se ainda restasse um fiapo de honestidade neste país. Fica registrado. 1.MUDAR O REGIMENTO DO SENADO. Pedido de impeachment de ministro com vinte e sete assinaturas vai a plenário, com prazo. Acaba a figura do senador que guarda a chave e a sua própria sobrevivência na mesma gaveta, isto é, remover da mesa diretora ou do presidente do Senado o poder quase absoluto de travar pedidos de impeachment. 2.DEVOLVER O SUPREMO À CONDIÇÃO DE CORTE CONSTITUCIONAL E RECURSAL, como a americana. Cortar o controle concentrado, o mecanismo que permite a onze pessoas decidir tudo o que interessa a duzentos e vinte milhões sem que nenhuma delas tenha recebido um voto. 3.HABEAS CORPUS RESOLVIDO NA SEGUNDA INSTÂNCIA. Fim da esteira rolante que transformou o STF numa vara criminal de luxo para quem tem advogado caro e amigo em Brasília. 4.FIM DA APOSENTADORIA COMPULSÓRIA COMO PUNIÇÃO. Mandar o sujeito para casa com salário integral e chamar isso de castigo é a piada interna mais antiga do Judiciário. Responsabilização de verdade, com a vitaliciedade deixando de servir de escudo. 5. LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE COM DENTES. O que acontece no topo vira licença embaixo, e o país já está cheio de pequenos xerifes de toga que aprenderam o método assistindo ao original. Tudo isso cabe em emenda constitucional, coisa que o Congresso aprova em três semanas quando é para aumentar fundo partidário. Não vai acontecer. Eles sabem, eu sei, você sabe. Mas fica aqui escrito, porque um dia alguém vai perguntar quem tinha algum plano e escolheu a gargalhada.

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