Essa é a Ketubá (documento de casamento) dos meus avós, assinada na Alexandria, em 1955. Dois anos depois, tiveram que fugir do Egito devido à crescente perseguição contra os judeus.
Perderam tudo. O dinheiro, a casa, a segurança. Chegaram ao Brasil sem falar uma palavra de português, com minha avó grávida de nove meses. Cinco dias depois, ela deu à luz minha mãe.
Nunca receberam um centavo da ONU. Nunca foram considerados refugiados. Não houve manifestações internacionais por eles. Não houve comitês, nem resoluções. Apenas luta, trabalho e resiliência para reconstruir uma vida do zero.
Meus avós não eram “sionistas militantes”. Não lutaram por Israel. Eram apenas judeus vivendo no mundo árabe – sem autodeterminação, sem garantias, dependendo da boa vontade alheia. Até que essa boa vontade acabou.
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