Thread

O que você precisa saber para não ser feito de otário 1) Políticos e juízes produzem coisas de altíssimo valor para o setor privado, mas que não podem ser legalmente vendidas: leis, contratos públicos e decisões judiciais. O mercado ilegal para essas três coisas se chama corrupção. 2) Mercados ilegais existem em qualquer país e vão continuar existindo, porque sempre haverá demanda, e todo mecanismo de fiscalização, controle e punição é imperfeito. Isso vale para drogas, aborto ou corrupção. O que se consegue é coibir. 3) O Brasil é o país do patrimonialismo, do jeitinho, da meia-entrada. É isso que domina nossas interações sociais, do candidato a vereador distribuindo exame às mais altas instâncias de poder. Se corrupção existe em qualquer país, o estado 'estacionário' em que ela se estabiliza no Brasil é um absurdo. Esse é o nosso normal. 4) Foi essa normalidade que a Lava Jato perturbou. A república foi virada do avesso e, desde 2016, há um movimento para estancar essa sangria e garantir que isso nunca mais se repita. Se você entendeu o ponto 1, vai perceber que há também interesses privados poderosos por trás. 5) Bolsonaro foi um presidente fraco e estúpido, que passou quatro anos fazendo discurso populista e golpista para o povão sem poder nenhum, enquanto cedeu ao patrimonialismo superpoderoso do centrão, do judiciário e dos grandes grupos econômicos em cargos institucionais que exercem poder real. 6) O mito achou que poderia acomodar esses interesses, garantir 'normalidade' para governar e, de quebra, destruir sua única concorrência ideológica na direita: o lavajatismo. Até foi bem-sucedido nesse último ponto, mas falhou terrivelmente nos dois primeiros: seu comportamento errático e lunático, especialmente após a pandemia, convenceu a elite de que nenhuma normalidade seria possível. 7) Ainda assim, Bolsonaro continuava popular demais. A solução possível foi praticar lawfare e reabilitar o único político com calibre popular para derrotá-lo: Lula. E funcionou. 8) A manobra de salvação da elite brasileira teve a seu serviço dúzias de Joãos Amoedos, que não compreendem nada, e de Reinaldos Azevedos, que compreendem e gostam. Quem venceu não foi a democracia, mas o patrimonialismo.

Nenhum Voo ainda