A Bancada do PT na Câmara vai apresentar notícia de fato à PGR e representação ao Conselho de Ética contra o deputado Mário Frias (PL/SP). A imprensa revelou comprovantes que indicam que uma ex-funcionária do gabinete pagou fatura do cartão de crédito da esposa do parlamentar, fez Pix para a mãe dele e transferiu valores ao então chefe de gabinete. Os elementos divulgados apontam para possível prática de “rachadinha”, com desvio de salários de assessores e utilização privada de recursos vinculados à atividade parlamentar.
A representação também vai pedir apuração sobre a emenda parlamentar destinada ao filme Dark Horse, com indícios de lavagem de dinheiro na rota Brasil–EUA–Brasil, e sobre a viagem de Mário Frias ao Bahrein sem autorização da Mesa, aparentemente para atrasar a ciência formal da intimação enviada pelo ministro Flávio Dino para prestar esclarecimentos sobre o tema. A conduta afronta o artigo 228 do Regimento Interno da Câmara, que exige comunicação prévia de ausência do país, com informação sobre a natureza e o período do afastamento.
Não há coincidências. O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) também já foi acusado de rachadinha no caso Queiroz, em investigação que apontou desvio de salários de assessores, lavagem de dinheiro e uso de loja de chocolates para dar aparência lícita a recursos de origem suspeita. A família Bolsonaro também foi alvo de investigação sobre rachadinhas, furto de joias e a aquisição de 107 imóveis, 51 deles com uso total ou parcial de dinheiro vivo. Agora, o mesmo campo político reaparece conectado ao Banco Master, com áudios divulgados pelo Intercept em que Flávio Bolsonaro e Mário Frias cobram dinheiro, agradecem apoio e tratam Daniel Vorcaro como “irmãozão” e que estarão “juntos para sempre”.
Para a Bancada do PT, os fatos revelam um método: a extrema direita que posa de moralista aparece, de novo, cercada por escândalo de corrupção e relações financeiras subterrâneas com o ecossistema do Banco Master.