Martim Vasques da Cunha

88 Voos
Martim Vasques da Cunha

Martim Vasques da Cunha

@martimvasques

Apocalíptico, jamais bestializado

São Paulo - SPshorturl.at/jsJN3Ingressou em julho de 2026
Não confiem na crítica. Não confiem nos cineastas. Não confiem sequer no diretor que o concebeu. Confiem na história. No ator. No olhar da câmera. Na montagem. Sim, O AGENTE SECRETO é o melhor filme de Kleber Mendonça Filho e uma meditação sobre o trauma que é viver no Brasil.
A entrevista que Lula deu a Natuza Nery só prova que, sem o pateta do Bolsonaro como concorrente, ele deixa de ser o Churchill tupiniquim que todos esperavam para voltar a ser o Tiririca de sempre.
Eu não sei o que é pior: se a imprensa de joelhos porque Lula tomou posse ou a esfera bolsonarista brincando de resistência contra o PT, sem admitir o fato de que ela foi a principal responsável pelo retorno dessa corja.
Não faz uma semana que Lula foi eleito e os luminares do jornalismo profissional já começaram a alterar o sentido do termo "orçamento secreto" para algo mais brando e inócuo - no caso, "emendas" -, como se a grana do povo fosse algo a ser reparado entre as pregas do nosso ânus.
Três dias de manifestações consecutivas, sendo que a de hoje é sem dúvida gigantesca. Enquanto isso, o jornalismo profissional, ao permanecer em silêncio sobre esses fatos, vive o seu dia de finados. Por quê? Porque se for mostrá-las, vai provar que o rei sempre esteve nu.
Aviso aos incautos: Tolkien não escreveu “O Senhor dos Anéis” para discutir raça, gênero, decadência do Ocidente, o escambau. Ele a escreveu porque, como grande artista, queria compreender o que acontece quando o ser humano se encontra com a maior das tentações — a do poder.
Os jornalistas estão nervosos com Elon Musk não apenas porque ele adquiriu uma publicação de mídia (como fizeram Jeff Bezos e Laurene Jobs com, respectivamente, o Washington Post e a Atlantic), mas sim porque ele simplesmente comprou a companhia que pauta TODA a imprensa.
A Ucrânia pode até estar em desvantagem numérica e militar nesta luta, mas jamais duvidem do poder que a liberdade dá a um povo que ousa se erguer contra uma tirania. (Em compensação, o nosso Brasil é o exato oposto.)
A única coisa que essa manifestação a favor do corona provou não foi o desejo de tirar Bolsonaro do poder, mas sim como a esquerda neste país continua hipócrita, usando e abusando do nome da Ciência apenas para que os membros desta casta se comportem como crianças mimadas.
A matéria do Estadão sobre os youtubers bolsonaristas que ficaram subitamente ricos mostra que ali ñ há nada de "livre mercado". É um esquema de pirâmide, bancado indiretamente entre o governo e empresários medíocres - e quem come pelas beiradas deste prato é apenas um picareta.
O que o capacho falou a respeito da filha dele é a prova de como a mentalidade binária sabota qualquer noção de discernimento moral. Ele pouco se importa com a menina; seu desejo maior é ir contra o feminismo e mostrar ao seu público que é um "conservador de boa estirpe".
Tretas intelectuais lá fora: - Nassim Taleb vs. Jordan Peterson - Niall Ferguson vs. Branko Milosovic - Patrick Deneen vs. Yascha Mounk. Já aqui: - Marcelo Adnet vs. Mário Frias - Gregório Duvivier vs. Joel Pinheiro. Não à toa que somos o Carandiru Intelectual.
Com o cancelamento de um clássico do cinema como "...E O Vento Levou", fica evidente que já vivemos na cultura do reducionismo, na qual perdemos a nossa capacidade de aceitarmos não só o contraditório, mas sobretudo o paradoxo – a base de qualquer discussão cultural sadia.
Salvo honrosas exceções, a esquerda não quer dialogar com a direita democrática. Quer submetê-la novamente, como fez no passado, porque seu único método de ação é o da vingança.
A peste da covid-19 desmascarou a verdadeira tirania dos especialistas: a dos esbirros bolsolavistas - de Fiuza a Constantino, passando por Ana Paula, Guzzo, Nunes, Coppola, etc. - que diminuem a gravidade da pandemia para encaixar o mundo em sua visão mortal e sem nuances.
O apelo da AGU para não mostrar o vídeo da reunião entre ministros, usando o argumento da segurança nacional, só mostra como o depoimento de Sérgio Moro à PF foi o primeiro lance de uma partida na qual Bolsonaro não tem as mínimas chances de jogar.
Não se enganem: o excesso de notas de repúdio, após a declaração explosiva do presidente e da violência física contra profissionais da imprensa, indica que JÁ estamos em uma democracia totalitária.
Será muito difícil quando Paulo Guedes e os milicos derem uma de Teich e admitirem que todos os seus esquemas econômicos irão falhar. Por isso, será necessário uma rede de cooperação e solidariedade, criada por empresários e pela sociedade civil, para que a economia se recupere.
Quem apoia ou se omite a respeito da declaração desastrosa feita ontem por Jair Bolsonaro em torno das mortes por coronavírus só prova que não só ele, mas em especial o seu círculo íntimo - feito desses pobres diabos da imprensa e da internet - são todos, sem exceção, psicopatas.