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Estamos assistindo — calados ou cúmplices — à normalização do inaceitável: adultos emocionalmente devastados tratando bonecos de silicone como se fossem filhos reais, em um surto coletivo cuidadosamente embalado pela indústria, promovido pelas redes sociais e blindado pela covardia de quem se recusa a dizer a verdade. O mundo enlouqueceu. E pior: passou a chamar de “terapia” aquilo que é, na essência, uma fuga patológica da realidade. Como escreveu meu amigo Flavio Gordon, com precisão: “Frutos de uma cultura hiper-subjetivista e narcisista, o aborto e a ‘parentalidade’ reborn são a contrapartida um do outro: enquanto o primeiro reduz a pessoa à condição de ‘amontoado de células’, a segunda eleva um amontoado de átomos à condição de pessoa. Em ambos os casos, o produto é o mesmo: um bebê sem vida. É o triunfo da cultura da morte.” Nada mais representa tão bem o colapso moral e mental de uma era.

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