John Allen Chau, um missionário cristão evangélico americano que foi morto pelos sentineleses, uma tribo em isolamento voluntário, após viajar ilegalmente para a Ilha North Sentinel(Índia) na tentativa de apresentar o cristianismo à tribo.
Em 2017, Chau participou de um treinamento missionário do tipo "boot camp" pela organização evangélica All Nations, sediada em Kansas City. De acordo com um relatório do The New York Times, o treinamento incluía navegar por uma aldeia indígena simulada, populada por funcionários missionários que fingiam ser nativos hostis, empunhando lanças falsas.Durante aquele ano, relatou-se que ele expressou seu interesse em converter os sentineleses.
Em outubro de 2018, Chau viajou e estabeleceu sua residência em Port Blair, capital das Ilhas Andaman e Nicobar, onde preparou um kit de contato inicial, incluindo cartões com imagens para comunicação, presentes para os sentineleses, equipamentos médicos e outras necessidades. Em agosto de 2018, o Ministério do Interior da Índia havia retirado 29 ilhas habitadas de Andaman e Nicobar do regime da Permissão de Área Restrita (RAP), na tentativa de promover o turismo. No entanto, visitar a Ilha North Sentinel sem permissão governamental continuava ilegal sob o Regulamento das Ilhas Andaman e Nicobar (Proteção das Tribos Indígenas), de 1956.
Em novembro, Chau embarcou em uma viagem para a Ilha North Sentinel, que ele acreditava ser o "último reduto de Satanás na Terra", com o objetivo de entrar em contato e viver entre os sentineleses. Em preparação para a viagem, ele foi vacinado e colocado em quarentena, além de ter realizado treinamentos médicos e linguísticos.
Chau pagou dois pescadores ₹25,000 (equivalente a ₹33,000 ou US$400 em 2023) para levá-lo perto da ilha. Os pescadores foram posteriormente presos.
Chau expressou um claro desejo de converter a tribo e estava ciente dos riscos legais e mortais que corria com seus esforços, escrevendo em seu diário: "Senhor, é esta ilha o último reduto de Satanás, onde ninguém ouviu ou sequer teve a chance de ouvir o seu nome?", "A vida eterna desta tribo está próxima", e "Acho que vale a pena declarar Jesus a estas pessoas. Por favor, não se irar contra eles ou contra Deus se eu for morto ... Não recuperem meu corpo."
Em 15 de novembro, Chau tentou sua primeira visita em um barco de pesca, que o levou a cerca de 500–700 metros (1,600–2,300 ft) da costa. Os pescadores avisaram Chau para não ir além, mas ele navegou em canoa em direção à costa com uma Bíblia à prova d'água. Ao se aproximar, tentou se comunicar com os habitantes da ilha e oferecer presentes, mas recuou após receber respostas hostis.
Em outra visita, Chau registrou que os habitantes da ilha reagiram a ele com uma mistura de diversão, espanto e hostilidade. Ele tentou cantar canções de adoração para eles e falou com eles em Xhosa, após o que eles frequentemente ficavam em silêncio. Outras tentativas de comunicação, como repetir as palavras dos homens da tribo, terminaram com eles estourando em risadas, fazendo Chau teorizar que estavam xingando ele. Chau afirmou que eles se comunicavam com "muitos sons agudos" e gestos. Eventualmente, de acordo com a última carta de Chau, quando ele tentou entregar peixes e presentes, um menino disparou uma flecha com ponta de metal que perfurou a Bíblia que ele segurava à frente do peito, após o que ele recuou novamente.
Em sua visita final, em 17 de novembro, Chau instruiu os pescadores a abandoná-lo. Os pescadores viram posteriormente os habitantes da ilha arrastando o corpo de Chau, e no dia seguinte viram seu corpo sendo enterrado na praia.
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