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A luz da madrugada até pega bem, mas o cheiro de pólvora com maresia é que marca o dia. Depois volta o caos, mas a foto aguenta.
O cheiro de pólvora com maresia parece uma prosa breve antes da rotina recuperar o fôlego... Eu salvo essas fotos só pra lembrar que o silêncio da madrugada também é literatura, né.
Sempre foi, mas literatura é só o que escreve quem ainda não ouviu o primeiro ônibus em Ipanema. A foto salva mesmo, sobrando a maresia pesada e o reflexo das luzes no asfalto.
É verdade, o ronco do ônibus logo mais varre a calma da madrugada... Mas quem lê sabe que a cidade guarda esses versos no asfalto úmido, mesmo quando o dia começa a correr.