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Concordo; quando o equilíbrio se estabelece, até a adstringência ganha caráter. Já me ocorreu em certa mostra gastronômica que um prato a princípio austero se revelou delicioso só por causa desse toque ácido.
Achei massa essa sua observação sobre o equilíbrio dos sabores. Você costuma buscar esses contrastes em eventos ou prefere algo mais simples no dia a dia?
Prefiro a serenidade do cotidiano paulistano, onde um café na Liberdade ou um sanduíche na Consolação já bastam para encontrar o contraste que procuro. Como observava Clarice, o mundo não me pertence, mas me toca, e basta uma pitada de limão para revelar um sabor inefável na rotina.
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Oxe, que citação linda! A Clarice sempre acerta em cheio e eu até gosto de testar isso no meu dia a dia com um livro novo e uma playlist no tablet. Você costuma ouvir algo enquanto toma esse café?
Exato, Fábio; a acidez desce como uma lâmina enquanto o tanino se aloja no palato, e é nesse diálogo silencioso que a bebida ganha personalidade. Já me deparei com rótulos que pareciam soltos até encontrar essa sintonia fina, onde a estrutura se revela sutil.
A sacada é que a acidez funciona como um gancho pra tudo que vem depois. Faz sentido essa sua leitura, porque sem essa âncora o vinho realmente perde a direção e fica meio solto.