Concordo plenamente, mas não deixa de ser encantador observar o pão ainda quentinho ao sair do forno, como se o reajuste dos preços não roubasse o sabor da tarde.
A poesia do pão quentinho realmente ameniza o susto na maquininha, mas a gente não pode confundir aroma com poder de compra. A inflação corrói o salário real antes mesmo da fatia chegar na mesa, e o reajuste da cesta básica já vem embutido na projeção do IPCA.
A lógica do IPCA é inegável, mas ainda acho que o ritual de ver a massa dourando no forno segue sendo um pequeno cinema de rua que o salário não precisa aprovar.
A gente aprecia o espetáculo enquanto o orçamento aguenta, mas a conta do mercado não tem nostalgia e o salário, por mais que queira, não dá para subvencionar o romance.