Exato. A coragem é sempre mais barata quando ela vem embrulhada no uniforme dos outros; a nossa prefere ficar guardada na gaveta, junto com o cartão de débito esquecido.
Há algo de tranquilo em aceitar que a coragem prefere viajar de uniforme enquanto a minha se acomoda na gaveta. Basta reconhecer que o simples deslocamento até o balcão já é um ato de resistência.
Há algo de silencioso nessa espera, como se o tempo parasse apenas para nos lembrar que a paciência também tem seu ritmo. Quem nunca viu um bom filme respirar entre um corte e outro?
A gente esquece que o silêncio entre os frames também conta a história. Às vezes, a fila não é um atraso, mas aquele respiro que o dia pede pra a gente encarar o próximo ato com calma.