Anna Virginia Balloussier

98 Voos
Anna Virginia Balloussier

Anna Virginia Balloussier

@annavirginia

jornalista da @folha e autora de “O Púlpito - Fé, Poder e o Brasil dos Evangélicos” (Todavia)

São Paulo, Brasilwww1.folha.uol.com.br/autores/anna-virginia-balloussier.shtmlIngressou em maio de 2026
Minha filha de 4 anos: “Mãe, se quando a gente não sabe alguma coisa a gente fala ‘sei lá’, quando a gente sabe, a gente pode falar ‘sei cá’, né?” A lógica das crianças, cara. Perfeita demais.
- Mãe, compra pipoca? - Ih, não trouxe cartão - Faz Pix, manhê - Acabou a bateria do meu celular 5 minutos depois: - Mãe, tira uma foto minha bem fofinha? A trouxa vai feliz tirar a foto. - Você disse que tava sem bateria, quero pipoca!!! Ela tem 3 anos, e eu, 36, sabe?
A Folha fez matéria sobre uma pastora que negou orações para crianças na UTI porque elas haviam sido pedidas por “crentes esquerdistas”. O repórter foi atrás dela, que respondeu: “Não tenho declarações a um jornal que é IMPARCIAL com a realidade”. Capslock meu.
Uma das chaves para entender a astronômica votação do astronauta Marcos Pontes: seu suplente, Professor Alberto, é ligado à ala da Assembleia de Deus comandada pelo poderoso pastor José Wellington Bezerra da Costa. Se Pontes, digamos, virar ministro, é ele quem assume.
"Você não entende nada do que tá falando, vai estudar", me diz o gentil seguidor que mandou o link de uma matéria para me ajudar a aprender o assunto que ele acha que eu não domino. A matéria é minha.
Peguei Covid e tô na saideira do isolamento. Tive que descer pra buscar o Rappi da farmácia. Eu de PFF2, vizinha sem máscara no elevador. Sinalizo que ela pode subir sozinha, ela diz que tudo bem se eu for junto, digo que estou infectada, e ela: "Eu também! Migas de Covid!"
Um conhecido estava contando que cortou o papo com uma mina no app porque ela não disse que tinha um filho, ele só descobriu quando migraram a conversa para a rede social das fotos. Detalhe: ele tem filho. E esposa.
Fui descer agora pra pegar a pizza, um vizinho me perguntou se eu também tinha escutado um apartamento ouvindo marchinha de Carnaval altíssimo à tarde toda, puta falta de respeito. Era eu 💁‍♀️
Conversei com uma adolescente hoje que perguntou o que eu fazia da vida. - sou jornalista - minha mãe era jornalista, mas diz que saiu porque queria ganhar dinheiro Perguntei o que a mãe dela fazia. - sabonetes de ervas As duas vão pra Europa de férias, sabe?
Acabei de pagar R$ 500 para desentupir um vaso. O técnico removeu um brinquedinho de plástico, uma tampa de caneta e resquícios de uma nota de R$ 50 que eu achei que tinha perdido na rua. Agora estou fazendo uma rifa para amenizar o prejuízo. O prêmio é uma bebê de 2 anos.
Me parou uma senhora, com muita cumplicidade e simpatia, para alertar que eu tinha distraidamente saído com chinelo em vez de sapato. "Eu já fiz isso, minha filha!" Tive que explicar que sou carioca.
Levei Violeta no parque, ela fez uma amiguinha lá. Laís, uns 5 anos, estava com o pai dela . No fim, pergunta se Violeta quer ir pra casa dela brinca e olha pra mim: - Tia, papai tá solteiro! O camarada, mortificado, diz que namora. - Ela é muito chata, eles vão acabar logo.
Bom, já que essa história despertou algum interesse, preciso dizer que vira e mexe Violeta vê um “moço”. Antes ela dizia “medo”. Até que um dia propus chamar o “moço” pra dançar “Pula Pula Pipoquinha” com a gente. Nunca mais ela disse ter medo dele.
Ok, teve continuação. Eu assustada, mas firme, disse pro "moço" ir embora na paz etc. E sugeri que Violeta desse tchau pro "moço". Comecei a dar tchau com a mão para o vazio. Ela diz "não, mamain" e se vira para um ponto específico do outro lado da sala. "Tchau, moço!"
Hoje, no mercado, uma mina ensaiou de passar a mão na barriga da mulher. - Quantas semanas? - Eu não tô grávida - Meu Deus, desculpa!!! Ela estava. De quase seis meses. Mas disse depois que ama constranger quem acha que corpo de gestante é propriedade pública.
Dois adolescentes andando de mão dada na minha frente hoje, no Sumaré. Ela: esfriou demais Ele: quer meu casaco? Ela: não, eu amo esse clima Uma pausa. Ele: e eu amo você Outra pausa. Ela: que frio da porra
São dois gigantes da música brasileira, mas confesso certo incômodo com quem usa o verso de Caetano Veloso para legitimar Marília Mendonça. A verdade é que o sertanejo é desprezado ou, no máximo, antropologizado por uma bolha que nunca entendeu o real significado do P em MPB.
A motorista de Uber conta que trabalhava como empregada doméstica até agosto. A patroa mandou mensagem no WhatsApp um dia, ela se apressou pra ver o que ela queria. Foi demitida. Era um teste pra ver se ela mexia no celular durante o serviço. Essa votou no Guedes.
Minha filha veio trazer pedacinhos de melão pra mim. Deu na boca. Fez até carinho. Cinco pedaços depois, reparei que ela está usando a sola do meu chinelo como bandeja. Este tuíte é um oferecimento Jontex.
Estou num voo com minha bebê, cantando pra ver se ela sossega. Um casal de má vontade com criança cochicha “baixo” que música de criança é tudo porcaria, uma letra mais pobre do que a outra. Era “O Pato”. Do João Gilberto.
Imaginando a cara de um profissional de saúde depois de tantos plantões Covid, perdendo pacientes em UTIs apinhadas por conta de uma doença para a qual já existia vacina, ouvir a nobre depoente da CPI dizer que está… exausta.
Eu falando com fonte carioca: - O senhor sabe se... - Senhor? kkkkkkkk, senhor o cacete, me chama de você ou a gente nem conversa kkkkkkkk E com fonte paulistana: - O senhor... - Tecnicamente, vossa excelência, mas senhor está bom.