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Trump Não É de Direita – E Isso Deveria Nos Fazer Pensar É impressionante como tantos jornalistas brasileiros falam de Trump com ares de autoridade , sem sequer entender quem ele é. Direita ou esquerda? Liberal ou estatista? Trump escapa de todas, e justamente por isso é tão eficaz e tão mal compreendido por nossos intelectuais. Achar que Trump é um ressurgimento da Extrema Direita, como muitos jornais estão informando mostra o desconhecimento brutal destes jornais. A verdade é que Trump não é de direita, tampouco de esquerda. Já foi democrata, hoje é tolerado a contragosto pelos republicanos. Seu pensamento está mais alinhado a uma corrente praticamente ignorada no Brasil: o comunitarismo. Comunitaristas acreditam que comunidades fortes e autossuficientes devem ser priorizadas em relação ao mercado global ou ao Estado centralizador. Não é à toa que Trump, antes de político, foi um planejador urbano. Viveu de imaginar e construir condomínios, bairros e centros multifuncionais. Seu raciocínio sempre partiu do local, do bairro, do entorno , e não das abstrações do mercado mundial ou da utopia socialista. Sua crítica à globalização é, nesse contexto, lógica: por que a Apple deveria produzir na China para vender mais barato nos EUA, se isso significa desempregar seus vizinhos comunitários. Para Trump, isso é burrice econômica e traição comunitária. Prefere pagar mais caro, desde que o emprego e a prosperidade fiquem dentro da comunidade. Foi essa visão que levou às tarifas de 50% sobre produtos chineses. Uma política que, ironicamente, lembra nossa velha Política de Substituição de Importações, defendida por décadas pela escola de economia da Unicamp. Mas enquanto aqui ela é celebrada como marco do “desenvolvimentismo progressista”, quando aplicada por Trump é demonizada como “populismo protecionista”. Há algo de hipócrita nisso tudo. Já a esquerda latino-americana nunca fez esse cálculo. Nunca se preocupou em criar produtos populares, acessíveis à classe C e D, tese defendida por Seches, Gouveia, Wright e eu desde 1994. Preferiram importações, subsídios e slogans. Trump também rejeita o modelo clássico de exportação de produtos que o próprio povo acaba não consumido consumir. Ele segue a velha máxima de Henry Ford: “Todo trabalhador deve poder comprar o produto que fabrica.” Uma ideia revolucionária no Brasil, onde há décadas a esquerda ignora a base do consumo popular. Aqui, políticas públicas sempre foram desenhadas para garantir salários mais altos , mesmo que isso tornasse nossos produtos inacessíveis a quem produziu. Enquanto isso, nossa indústria seguiu fazendo carros, eletrodomésticos e roupas voltadas para a elite ou para exportação. Pouco se pensou em criar produtos duráveis, acessíveis, para as classes C e D. Pior: chamaram de “neoliberalismo” quem ousou propor isso nos anos 90. Trump não é um messias. Mas também não é o vilão simplório que nossos comentaristas insistem em pintar. Talvez por isso incomode tanto. Ele nos obriga a repensar o que entendemos por Estado, mercado e comunidade. E pior: nos força a encarar o quanto abandonamos a ideia de um capitalismo voltado para o povo , e não para estatísticas de exportação. Estamos prontos para discutir ideias sem os rótulos fáceis? Ou vamos continuar prisioneiros da velha dicotomia “direita-esquerda”, enquanto o mundo real opera em outras frequências? Comente, compartilhe, critique, mas pense. O Brasil precisa de mais reflexão honesta e menos torcida organizada.

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