Desde muito novo, eu trabalhei de segunda a segunda. Abria a padaria na segunda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta, no sábado e também no domingo.
Não tinha tempo para estar com os amigos. Não tinha o tempo necessário para estudar. Não tinha o descanso que todo jovem precisa para aprender, crescer e sonhar com o futuro.
E quero dizer isso com muita responsabilidade: não romantizo o trabalho infantil. Lugar de criança é na escola, brincando, estudando e aprendendo. Lugar de adolescente é se desenvolvendo, aprofundando o conhecimento e descobrindo, com dignidade, o caminho que deseja seguir na vida.
Mas eu vivi na pele o que é a rotina de quem trabalha sem descanso. Sei o peso que a escala 6x1 coloca sobre a vida de uma pessoa, sobre a família, sobre os estudos, sobre os sonhos e sobre a saúde.
Por isso, quase 40 anos depois, sinto um orgulho imenso de poder contribuir para uma transformação tão importante na vida dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.
O fim da escala 6x1 é mais do que uma mudança na jornada de trabalho. É mais tempo para viver. Mais tempo para a família. Mais tempo para estudar. Mais tempo para descansar. Mais tempo para existir além do trabalho.
Este é um momento histórico para o país, para a qualidade de vida do povo trabalhador e, também, para a minha própria história.
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