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Essa semana, a Câmara dos Deputados vota o PL 896/2023, o projeto que trata da misoginia, o ódio contra a mulher. Se aprovado, esse crime passa a ter o mesmo peso do racismo: quem praticar não vai poder pagar fiança para sair da cadeia, e o processo não prescreve, ou seja, nunca caduca, não importa quanto tempo passe. Eu não consigo falar sobre esse projeto sem pensar nas mulheres que conheço. As que na maioria das que vezes, carregam o desproporcional peso do cuidado, acordam cedo, levam filho na escola, trabalham o dia inteiro, voltam pra casa e ainda cozinham, limpam, cuidam. As que sustentam lares, seguram famílias, doam uma vida inteira pra quem amam. Que entregam tudo, sem pedir nada em troca. São essas mulheres que mais morrem. São essas mulheres que mais sofrem violência. E na maioria das vezes, pelas mãos dos homens que elas cuidaram a vida inteira. Maridos, namorados, filhos, irmãos, colegas de profissão. A misoginia não começa com o feminicídio. Começa quando um homem diz a uma mulher que ela não entende nada, que deveria ficar quieta, que chegou ontem. Começa no desprezo, na humilhação, no silenciamento. A gente viu isso essa semana, dentro de uma das famílias mais poderosas do país. A misoginia não escolhe lado político. E é por isso que esse projeto protege todas as mulheres. Inclusive aquelas que ainda não entenderam que ele existe também por elas.

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