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Trechos de minha fala na reunião do G7 nesta terça: Ainda em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi participar da Cúpula do então-G8. Desde aquele ano estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7. Em todas nos defrontamos com desafios que afetam milhões de pessoas. Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras. Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento. A OMS e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma assimétrica. A Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para a direção correta. O desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política. 📸 @ricardostuckert
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